Tampa de Tigela

INOVA_466081_1_400Ela, presente de aniversário;
Tigela bonita;
Toda branca;
Tampa de vidro; pegador de inox.
A importância do refratário advém tanto pela estética,
Quanto pelo presenteador.
Ele, de inox;
Lugar para plástico,  laminados e papéis.
Beleza, não há que se falar;
O negócio é a utilidade.
Segundo a mãe da interlocutória: “necessária em qualquer cozinha”.
Naquele dia,
A mudança rolava solta;
Prega aqui; tira dali;
No meio do quiprocó, um mulato alto, bem apanhado,
Com ares de decorador.
Aqui não, que eu não vou pregar;
Não prego e pronto.
Teimava o decorante com a senhorinha.
Tá bem; tu me paga!
A essa altura, vale a pena esclarecer que o “ utensílio necessário” fora presente da mãe;
O “belamente utilitário”, do pretenso decorador.
O silêncio “conciliou”.
O “necessário” foi pro armário.
Calor forte;
Noite feita;
Panela no fogo;
Suava em bicas o “chef” decorador.
Pronto. O filé dourou;
Vou botar na tigela;
Agora é só tampar.
Os olhos correram  o armário cima-abaixo;
Cadê a tampa?
Dona Zana,
Cadê a tampa da tigela?
Não sei… tava aí…
Hummmm!!!!!
Isso é coisa de D. Eva.
Aposto que ela quebrou e não disse nada.
Já sei!
Se  quebrou,  ficou resto de vidro atrás da geladeira.
Traaaannn. Geladeira roçando o chão;
Tá vendo. Gritou o afobado.
Pim, pim, pim, pim;
Alô… ? D. Eva…? Cadê a tampa da tigela?
Que tigela, cachorro, maluco?
A senhora é muito traiçoeira…
Eu já descobri tudo; deixa a Sra. chegar segunda-feira….INOVA_466081_1_400
Pá! Telefone na cara. Pim, pim, pim, pim, pim…
Ah, D. Eva,
A senhora pensa que não lhe conheço….
…E a história ficou pra segunda-feira.
Ele andava, ajeitava … e cismava.. a tampa da tigela…
Doce inocência do “chef” decorador.
Embrulhada num jornal velho;,
Debaixo de muitos panos de prato;
Descansava a tampa da tigela,
Debochada;
Quietinha; silenciosa;
Malograda da  desfeita sofrida.
Foi o troco, muito bem arquitetado,
da senhorinha que não teve o seu utensílio pregado.
(por Rosânia Bastos)

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