Menino Joaquim

joaquim

MENINO JOAQUIM

Vai,

Menino!

Segura forte os teus balões.

Segue a trilha do arco-íris.

O pote de guloseimas vai estar lá.

Chocolates coloridos,

Pirulitos  de cata-vento,

Confeitos dourados e

Suspiros recheados.

Come de cada um,

um pouquinho,

Que é para lembrar o gostinho

dos sonhos feitos por lá.

Não te acanhes com os anjos.

Esses Serafins,

Ah, meu Deus!

São verdadeiros devoradores

de todo o  algodão-doce.

Não vê as nuvens…

Quando estiveres já farto,

Dos doces e dos melaços,

 Vai, Voa com Eles,

Alto.

Alcança logo  teu Céu.

Relembra

As frutas maduras,

Doces qual açúcar.

Os pomares coloridos,

Flores de toda flor.

Saúda teus amiguinhos,

Tão tantos

Estão com saudades.

Das tuas conhecidas traquinagens.

 Animados,

Pensamentos…só  Deus sabe!

Vai brincar no Paraíso.

E não te preocupas,

Criança.

As nuvens são bem seguras.

Pula,

Corre,

Voa,

Dança.

Deleita-te, amiguinho.

Mas não olha para baixo.

É que as coisas, por aqui,

Não estão nada engraçadas.

Nem vale a pena espiar.

Se,  acaso,  sentires medo,

É que a lembrança, traiçoeira.

De tudo teima em lembrar,

 Segura a mão de Dona Rainha,

Ela  ama,

Amor perfeito.

Afagará  teus cabelos,

 cantará cantigas de Céu,  somente para te ninar.

Sei que sabes o segredo,

Mas deixa-me te lembrar.

Na verdade,  és um anjo,

Que por amor e encanto,

Veio à Terra

 passear.

RB

Menino Grande

…Ela fecha a porta do carro;
Um toque no vidro a fez despertar do torpor de si;
orquidea-cattleya-julio-conceicaoEra ele;
o homem grande que permaneceu menino;
Mão fechada; batia o peito.
– Tô abalado!
Mas, por quê?
– Ela foi embora;
Mas já não tinha ido?
– Agora foi pra sempre… pegou fraqueza no corpo.
O olhar demonstrava uma tristeza jamais vista.
…o menino estava sofrendo.
Dor doída; expressa nos olhos;
Tortos de nascença.
– Tô abalado porque fui expulso do enterro;
– Foi a mãe dela.
– Eu só queria ver…
– Ah! Não tô nem ligando….

E o menino voltou para o lugar de sempre;
Seguro, confortável; distante de qualquer coisa que o ousasse perturbar.
Flanelinha na mão; tratou de limpar o vidro.
– Paga meu almoço, madrinha…
Ela percebeu que era hora de parar o assunto;
A inconsciência, consciente  das dores que o espreitavam,
tratou de protegê-lo.
Pega, afilhado. Vai almoçar… e toma também o refrigerante.
A chave girou;
O ronco do motor se fez ouvir.
Ensimesmada em seus pensamentos,
questionava aos subs  dos inconscientes:
quem não cresceu… foi Ele ou  fui Eu?
(por Rosânia Bastos)