GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

  • prost“Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.”

(Memórias de Minhas Putas Tristes – Pg. 74)

Gabriel García Márquez

Certos silêncios

CEM palavras…

Mariel Fernandes

silencioDiscursos são exuberantes. Eles e suas metáforas, lições, fábulas, escalas, estrofes e citações. Explicam, ponderam, transmitem, transformam. Há pra todo tipo de ambiente, circunstância ou gente. Mas alto lá, há muito dizquedizque, muito tititizmos, achistas de plantão, uma multidão teclando, blablazando, desconectados em rede. Quem ainda não reparou esse flerte entre o discurso e o falsete? Há uma intensa troca de olhares, mudanças de senhas, sinais codificados, claquetes profissionais, um acordo do clube dos perfeitos. Discursos e discursantes mantém verdades a uma boa distância porque isso mantém um mundo onde a harmonia se baseia na dissonância. Disfarçadas de eloquências, exiladas no país dos desmentidos, letras mortas, esquecidas em conversas sem tradução. Desmentidas, as palavras nos tornaram distantes, almas malditas e esquecidas do bendito que é o entendimento que proporcionam. E foi então que cada letra silenciada tornou-se um hino, um som, um sentimento, o descobrimento que viver são pontos de…

Ver o post original 40 mais palavras

As bruxinhas de Páscoa na Suécia

As bruxinhas de Páscoa na Suécia

Doces bruxinhos!

Diário de uma Teimosa

Pelo menos nos países protestantes, o dia antes da Páscoa se tornou exatamente o oposto da Sexta-feira Santa. Sabadão é o dia em que a maioria das famílias enche o pandulho de ovos. Sim, muitos ovos. E isso acontece independente da ajuda do coelhinho fofinho da Páscoa. Tá certo que o povo por aqui deveria aguardar até o domingo para se fartar de comer, mas pra que esperar se isso pode ser feito antes, né?

Deixando os ovos de lado, há também uma antiga celebração por essas bandas, que é pura diversão da garotada na Quinta-feira Santa.

E que tipo de entretenimento é esse? As meninas usam lenços na cabeça, vestem saias longas ou vestidos, pintam a bochecha de vermelho com pintinhas pretas e, às vezes, até ostentam um avental bem a moda antiga, sabe. Enquanto, que os meninos usam roupas contemporâneas, chapéu e bigode. Algumas crianças gostam de explorar…

Ver o post original 840 mais palavras

Cântico VI – Cecília Meireles

CECÍLIA…

Poesias Preferidas

Poème-de-l'âme_Sur-la-Montagne_Louis-Janmot (pintura de Louis Janmot)

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cecília Meireles

Ver o post original