CATARSE – LITERATURA X PSICANÁLISE (Acredite ou não!)

pensandoO MISTÉRIO DA CATARSE NA LITERATURA


Por Ricardo Bellíssimo *

 Ao validar os efeitos da catarse por meio do solene ritual da leitura, Freud elucubrou a teoria de que as nossas lembranças, sem o devido resgate do afeto por elas então já vivenciado, seriam inúteis para o amadurecimento pessoal. Ao fazermos pouco caso de recordações e sentimentos incômodos que outrora nos afligiram, impedimos por fim a libertação de nossas mais insistentes angústias.

Os seres humanos, por conta disso, estão sempre em busca de compensações psicológicas para assim se autopreservarem das desvantagens que, em algum momento, sofreram na vida. Muitos inclusive exigem, ainda que inconscientemente, reparações constantes por antigas contendas que um dia feriram de maneira atroz a sua autoestima.

A arte, de uma forma geral, e mais especificamente a literatura em decorrência à sua degustação mais intimista, insurgiu-se assim, para o pai da psicanálise, como um alento a esse amor-próprio vilipendiado, destruído, na medida em que seria permitido, ao leitor, dialogar constantemente com os temas mais caros e igualmente presentes ao campo psicanalítico: desejos múltiplos, sonhos e censuras, estados mórbidos, amor e paixão, segredos, narcisismo exacerbado, vingança, autodepreciação, culpas, heroísmo, incesto, laços familiares, estranhamentos diversos, transgressão, prazer, e por aí vai.

Nesse contexto, literatura e psicanálise abraçam-se como saberes solidários, indissociáveis até, ao aguçar radicalmente o potencial do inconsciente para tão logo detectar as mais enraizadas inseguranças e dúvidas humanas. A leitura, do mesmo modo que uma sessão de análise, seria capaz de identificar toda essa latência dissimulada, reprimida, já que propicia ao leitor um profundo monólogo consigo mesmo.

E tão mais efetivo seria esse exercício quanto mais um texto flanasse pelo imaginário por meio de metáforas inusitadas, bem como das entrelinhas e do não dito. Isso, para Freud, também permitiria ao leitor preencher suas lacunas de carência, sobretudo a de suas intolerâncias, com uma maior flexibilidade e compreensão de si próprio e, por sua vez, do outro. Ao confrontar-se, no transcurso da narrativa, com sensações até então incoerentes e adormecidas dentro de si, o leitor ainda poderia se sentir motivado a iluminar o pântano onde chafurdam as suas mais inconfessáveis fantasias.

É possível ainda, por esse viés associativo, agregar os efeitos transcendentais do texto ficcional na mente humana, como também já foi um dia aventado pelo escritor Jorge Luis Borges (1899-1986), que, a partir do cunho mítico-fantasioso que encampa alguns livros, alçou a literatura a uma categoria profética, e até mesmo salvadora, ao reservar um espaço de excelência para o impossível. Através de um romance, o impossível tenderia a perder sua natureza intangível ao metaforizar, por meio das mais variadas figuras de linguagem, o caráter obscuro de um personagem, concedendo, em seu lugar, licenças poéticas aparentemente irreconciliáveis como, por exemplo, um suicida por felicidade, um ditador da paz, um assassino por benevolência, um delator por humildade, entre outra sorte de incoerências morais.

A incongruência subjacente a tais conceitos éticos faz com que a catarse assuma, neste caso, uma condição inseparável ao texto ficcional já que a literatura reinventa-se, incondicionalmente, por conflitos existenciais que também duelam o tempo todo dentro da imaginação de cada leitor.

Dinâmica do Mistério

Resgatar, assim, a dimensão oracular em um texto ficcional faz ainda com que o leitor busque alguma expressão de clareza em meio aos seus tantos enigmas interiores. Não por acaso, a dinâmica de um livro de suspense é igualmente frutífera a essa redenção contínua da psique. É nesse sentido que, a grosso modo, o suspense pode até se assemelhar a movimentos de vanguarda que pretendem primeiramente agredir e sacudir, para depois acordar.

O mistério, com efeito, dilata e contrai constantemente as nossas emoções e, por meio dessa mecânica psicológica, consegue em algum momento expulsar medos e traumas sorrateiros há muito encovados em nós.

Não à toa, o apelo sedutor que proporciona a literatura policial, ou mesmo de terror, coincide com a possibilidade de se buscar um mínimo de amparo no desamparo ao desvendar os mistérios pontuais de uma trama, posto que, diante do enigma, a razão baixa imediatamente sua guarda para a emoção enfim tomar o seu lugar. É justamente nesse estágio que a índole humana se torna mais volúvel e extremamente suscetível ao processo catártico. O poder contido no mistério, afinal, antes de alcançar a consciência atinge a alma, o inconsciente, para depois turvá-los e, com alguma sorte, libertá-los de suas inúmeras pulsões.

O mistério apenas mostra ao leitor um universo que nele próprio se esconde.

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Ricardo Bellíssimo é jornalista, historiador e escritor, autor dos romances Sufoco e Negro Amor, entre outros

DETOX DA MIMIS….

Michelle Franzoni – Blog da Mimis – Qualidade de vida e bem-estar

Michelle Franzoni fala sobre qualidade de vida, atividade física, vida saudável e bem-estar. Conheça o Blog da Mimis!

Suco verde detox

Se eu soubesse que suco verde era tão gostoso, teria começado a tomar quando era criança!

Quem não tá acostumado pode até estranhar a cor, mas tudo é questão de costume! E realmente eu adoro o sabor!

Eu comecei a tomar suco verde na época do meu emagrecimento, e ele fazia parte da minha dieta (ver AQUI) e me ajudou a emagrecer 33kg em 10 meses.

Super nutritivo e detox, ele ajuda a dar energia e emagrecer.

Eu já postei outras receitas AQUI, e hoje vou passar uma nova pra vocês!

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Muita gente me pergunta se pode coar o suco e isso vai muito do gosto pessoal e da dieta. Eu tenho duas regrinhas pra isso:

–  Se você quiser uma bebida mais rica em fibras, não coe.

–  Se sua dieta diária já tiver a quantidade de fibras ideal, pode coar.

Olha que curioso! Já li por aí também que quando feito no juicer, mesmo tirando as fibras, extraímos  todas as vitaminas das frutas, e por não ter a presença de fibras que deixam a digestão mais lenta, essas vitaminas seriam melhor absorvidas pelo nosso organismo.  Nesse caso, também é legal tomar em jejum ou pelo menos 2 horas depois da última refeição. Mas o suco pode ser tomado em qualquer horário também, viu!

Bom, coando ou não, os benefícios são enormes! O importante é encher o corpo de nutrientes!

Quem aí já tem o hábito de tomar suco verde? Mandem suas receitas favoritas!

Vem ver mais receitinhas saudáveis e magrinhas AQUI e me segue no instagram @blogdamimis e no facebook!

GENTE, ACHEI O BLOG DA MIMIS!

Como turbinar o metabolismo

Posted on Jun 23 2014 – 8:40am by Michelle Franzoni

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Hoje em dia ser saudável não é apenas estar na moda. É realmente um estilo de vida. Por isso divido com vocês as minhas experiências aqui no blog.

O post de hoje é sobre metabolismo. E quando falamos nele todo mundo fica ligado, afinal, metabolismo é um super aliado no processo de emagrecimento!

Mas vocês sabem o que é o metabolismo?

Metabolismo é o conjunto de processos físicos e reações químicas fundamentalmente responsáveis por manter o nosso corpo funcionando. Ou seja, ele está relacionado com o modo que o organismo transforma as calorias em energia.

Ele se divide em dois processos:

–  Anabolismo: que são as reações de síntese

–  Catabolismo: reações de degradação

A velocidade do metabolismo tem bastante relação com a genética de cada um, no entanto, pode-se acelerar esse processo. E hoje eu vou dar super dicas pra vocês sobre como turbinar o metabolismo. Vamos lá!

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Claro que a dieta tem que estar certinha e equilibrada, né gente. Nesse post AQUI eu conto tudo sobre a dieta que me ajudou a eliminar 33kg em 10 meses.

Vocês sabem que eu amo musculação e ela dá um super gás no metabolismo. Já falei sobre ela AQUI  e vale a pena investir. Fazer exercícios em casa também é uma boa pra quem não tem tempo ou não pode ir na academia e AQUI tá cheio de treinos legais pra fazer em qualquer lugar.

E aí? Como anda o metabolismo de vocês? Rápido ou lento?

Ah! Nesse post AQUI tem super dicas de  alimentos que ajudam a acelerar o metabolismo! Cadastrem o email aqui no site, na coluna lateral “fique por dentro” pra receber os posts em primeira mão.

A publicação desse material só é autorizada mediante citação da fonte (Michelle Franzoni do Blog da Mimis e link: http://blogdamimis.com.br/)

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Sou artista visual, graduada em fisioterapia e Doutora em Gestão do Conhecimento. No Blog da Mimis você encontra tudo sobre qualidade de vida, saúde e bem estar.

IOGURTE CASEIRO DO BLOG DA MIMIS….AAAAAMEI!!!!!!!

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Gente! Eu adoro iogurte desnatado natural! Eu tomo há mais de 1 ano e é perfeito para fazer combinações com frutas e até usar como molho, sabiam?

Eu peguei implicância com iogurte colorido depois que comprei um litro de uma marca e ele veio com um sabor tão forte artificial que troquei pelo natural de vez. Mas de uns tempos pra cá  a indústria melhorou muito a qualidade dos iogurtes, não acham? E olha que eu consumo iopgurte desde que comecei meu processo de emagrecimento!

Todo mundo me pergunta qual a marca do iogurte que eu tomo. Eu não sou fiel a nenhuma marca, pois nem sempre encontro todas no supermercado, então escolho a mais magrinha que tem no dia, lendo o rótulo do potinho como ensinei AQUI.

Poréeeeemmmm, :)  estava eu na casa de uma amiga esses dias, e ela me perguntou se eu não fazia iogurte em casa. Eu falei que fazia há muito tempo atrás e não sei porque deixei de fazer (talvez porque eu não consumia tantas coisas saudáveis e o danado estragava lá na geladeira) rsss

Mas enfim! Resolvi que iria voltar a fazer iogurte caseiro. E minha gente!!! Tô viciada! sempre amei iogurte mas agora com essa facilidade tô amando muito mais! E o preço? Três vezes mais barato que o do super!

Ficaram curiosos? É muito fácil, basta ter paciência. Vamos lá!

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Ingredientes:

– 2 litros de leite semidesnatado(pode usar leite sem lactose)

– 1 potinho de iogurte  integral (consitência firme) 170g aproximadamente

Modo de preparo:

Colocar o leite em uma panela e levar ao fogo. Desligar assim que ferver. Se formou uma película, descarte-a. Deixar esfriar até o ponto que você consiga colocar o dedo no leite e ele se mantém bem quente, mas sem queimar seu dedo. Se o dedo consegue ficar ali por 10 segundos tá no ponto. :)  Nesse momento, coloque o copinho de iogurte no leite e misture. Feche a panela e envolva-a com algumas toalhas, para mantê-la aquecida. Deixe  bem fechado por cerca de 8 a 10 horas em temperatura ambiente. Se estiver muito calor, ele pode ficar pronto antes, ou seja, quando ele atingir a consistência, está pronto.

Se você gosta mais consistente, basta você retirar o soro com uma concha e descartar. Guarde na geladeira em recipiente fechado.

Rendimento: 10 porções de 95 calorias aproximadamente

* Se usar desnatado, vai ficar mais magrinho.
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Observações:

– Pode fazer com o leite desnatado e o iogurte também. Apenas ele irá ficar mais ralinho. Como a diferença calórica é pouca eu optei fazer com os ingredietes citados.

– Essa mesma receita pode ser feita com  até 4 litros de leite para um copinho de iogurte. Eu costumo fazer sempre 2 litros porque é o que consumo durante a semana. Ou seja, pode usar 1 litro para 1 copinho, 2 litros para 1 copinho, 3 litros para 1 copinho ou 4 litros para 1 copinho. :)

– Quanto à validade, aqui em casa ele acaba em 1 semana, então nunca estragou. Já li que dura 10 dias, mas é bom ficar de olho. Na dúvida, recomendo fazer a quantidade a ser consumida em 7 dias.

– Eu guardo em uma garrafinha e vou servindo sem colocar nenhum talher dentro. Assim evito a contaminação. :)

– Pode bater com frutas, mas faça isso apenas na hora que for servir para não correr o risco de azedar.

– Para adoçar, vale adicionar mel ou adoçante se preferir.

– O custo da receita é de aproximadamente R$ 6,75 e rende 1,7litros de iogurte, ou seja, 10 potinhos. Se você for comprar no supermercado vai gastar cerca de R$ 17,00!

– Para fazer uma nova receita pode usar o mesmo iogurte já feito. Basta separar um copinho no final. :)

Ah! Neste post AQUI eu mostro a receita pra fazer iogurte grego.

E aí? Gostaram? Me contem quais são suas combinações  preferidas com iogurte! E depois voltem para me dizer se ficou bom heim!

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ENTENDENDO A ESQUIZOFRENIA – BLOG COM INFORMAÇÕES E GRUPOS DE AJUDA PARA ENTENDER A ESQUIZOFRENIA – ACESSE: Link- http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?p=5537

ENTENDENDENDO A ESQUIZOFRENIA

Um portal dedicado a familiares e pacientes.

Informações e grupos de ajuda para entender a Esquizofrenia.

 O Avesso da Alma: depoimento do Daniel.

12/07/2014

Daniel Velloso é um artista, dedica-se profundamente à arte, é escritor, já publicou dois livros, é humorista e faz um programa na rádio, toca violão, escreve poesias… quis a vida que ele fosse, além disso tudo, também esquizofrênico. Passou anos de sua vida trancado em casa, distante de todos os seus sonhos e aptidões, meio que adormecido, absorvido por seus delírios e alucinações. Mas não deixou de se inspirar e encontrou forças para dar a volta por cima e sair fortalecido. Deu asas aos seus projetos, materializou sua arte e agora quer gritar para o mundo sua experiência. Ele alcançou o que os médicos chamam de empoderamento, ou simplesmente auto-confiança, resgate da vida e de sua dignidade, acreditar que é possível vencer e que se é maior do que a doença. Ele foi à fundo no que sentia e soube fazer isso graças à sua veia artística (os artistas estão mais próximos da alma!), mas também à sua busca incessante pelo conhecimento, pelas respostas. Entender o que tinha e sair da negação era fundamental para que conseguisse dar a volta por cima. Ele estudou sobre sua doença, buscou tratamentos e o resultado de sua caminhada foi seu renascimento para o que a vida lhe oferecia de bom, para a sua arte.

O depoimento de Daniel é fabuloso, uma injeção de esperança e ânimo para todos aqueles que convivem com a esquizofrenia. A leveza com que ele fala da doença mostra que é possível olhar para ela de forma mais positiva, despretensiosa, livrar-se dos preconceitos e do estigma que nos são impostos, encarar de frente os desafios e os obstáculos e, porque não, vencê-los, transformar o sofrimento em algo cada vez menor e, quem sabe, como Daniel, um dia olhar para a esquizofrenia como quem olha para uma gripe.

Assistam ao depoimento e divulguem. Compartilhando o link podemos contribuir para reduzir o estigma e o preconceito!

Conheça o livro ‘Avesso da Alma’, de Daniel Velloso. CLIQUE AQUI

http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?p=5596

A LUZ NUNCA SE APAGA!
O comovente depoimento de Eleanor Longde

Aparentemente, Eleanor Longden era exatamente como qualquer outra estudante, indo para a universidade cheia de promessas e sem preocupações com o mundo. Até que as vozes em sua cabeça começaram a falar. Inicialmente inócuos, esses narradores internos começaram a ser tornar cada vez mais antagônicos e ditatoriais, transformando sua vida num pesadelo vivo. Diagnosticada com esquizofrenia, hospitalizada e drogada, Longden foi descartada por um sistema que não sabia como ajudá-la. Longden conta a história comovente de sua jornada de anos para recuperar a saúde mental, e constrói o argumento de que foi aprendendo a escutar suas vozes que ela foi capaz de sobreviver.

Assista à palestra de Eleanor Longden em TED.com ou leia a transcrição da palestra em português.

“No dia em que saí de casa para ir à universidade pela primeira vez, era um dia lindo, cheio de esperança e otimismo. Eu fui bem na escola. Minhas expectativas eram altas e entrei alegremente na vida estudantil de palestras, festas e roubos de cones de trânsito.

As aparências, é claro, podem enganar, e, de certa maneira, esta vida enérgica e festiva de palestras e roubos de cones era um disfarce, embora fosse um disfarce muito bem feito e convincente. Por trás dele, eu era na verdade muito infeliz, insegura, e profundamente apavorada — apavorada pelas pessoas, pelo futuro, pelo fracasso e pelo vazio que sentia que estava dentro de mim. Mas eu era boa em esconder isso, e por fora eu parecia uma pessoa cheia de esperanças e aspirações. eu parecia alguém cheia de esperanças e aspirações. Esta fantasia de invulnerabilidade era tão bem feita que até mesmo eu me enganava, e quando o primeiro semestre terminou e o segundo começou, ninguém poderia ter previsto o que estava prestes a acontecer.

Eu estava saindo de um seminário quando começou, assobiando sozinha, mexendo na minha bolsa, como já tinha feito centenas de vezes antes, quando, de repente, ouvi uma voz afirmar calmamente: “Ela está saindo da sala.”

E olhei em volta, e não havia ninguém lá, mas a clareza e determinação do comentário era inconfundível. Tremendo, eu deixei meus livros nas escadas e corri para casa, e lá estava a voz de novo: “Ela está abrindo a porta.”

Isso era o começo. A voz havia chegado. E a voz persistiu, dias e depois semanas com ela, sem parar, narrando tudo o que eu fazia na terceira pessoa.

“Ela está indo para a biblioteca.”

“Ela está indo para uma palestra.” Ela era neutra, impassível, e até, depois de algum tempo, estranhamente companheira e reconfortante, apesar de eu não perceber que sua calma exterior sumia às vezes e que ela refletia minha própria emoção reprimida. Por exemplo, se eu estivesse com raiva e precisasse esconder isso, o que eu fazia com frequência, por ser muito habilidosa em esconder como eu me sentia, então a voz soava frustrada. Caso contrário, ela não era nem sinistra nem perturbadora, apesar de que, mesmo àquela altura, estava claro que ela tinha algo a me comunicar sobre minhas emoções, especialmente as emoções que estavam distantes e inacessíveis.

Foi neste momento que cometi um erro fatal, quando contei a uma amiga sobre a voz, e ela ficou horrorizada. Um processo sutil de condicionamento teve início, a ideia de que pessoas normais não ouvem vozes e o fato de que eu as ouvia significavam que algo estava muito errado. Esse medo e desconfiança eram contagiosos. De repente, a voz não parecia tão benigna como antes, e quando minha amiga insistiu que eu procurasse ajuda médica, eu obedeci, o que provou ser o erro número dois.

Eu passei algum tempo contando ao médico da faculdade sobre o que eu percebia ser o problema real: ansiedade, baixa autoestima, medo sobre o futuro, e fui recebida com indiferença entendiada, até que mencionei a voz, e foi quando ele largou sua caneta, se virou e começou a me questionar, demonstrando real interesse. E para ser sincera, eu estava desesperada por atenção e ajuda, e comecei a contar a ele sobre minha estranha comentarista. E sempre desejei que, naquele momento, a voz tivesse dito: “Ela está cavando a própria cova.”

Eu fui indicada para um psiquiatra, que também assumiu uma opinião severa sobre a presença da voz, interpretando subsequentemente tudo o que eu dizia por trás de lentes de insanidade latente. Por exemplo, eu participava de um canal de TV estudantil que transmitia boletins de notícias pelo campus, e durante uma consulta, que estava ocorrendo muito tarde, eu disse: “Desculpe-me, doutor, preciso ir. Vou ler as notícias das seis.” Agora está anotado nos meus registros médicos que tenho alucinações de que sou uma apresentadora de notícias da TV.

Foi neste ponto que os eventos começaram a me sobrecarregar rapidamente. Uma internação hospitalar se seguiu, a primeira de muitas, um diagnóstico de esquizofrenia veio em seguida, e então, o pior de tudo, uma sensação tóxica e angustiante de descrença, humilhação e desespero sobre mim mesma e minhas perspectivas.

Mas ao ser encorajada a ver a voz não como uma experiência mas como um sintoma, meu medo e resistência contra ela se intensificaram. Essencialmente, isso representava assumir uma posição agressiva contra minha própria mente, um tipo de guerra civil psíquica, e, por sua vez, isso provocou um aumento do número de vozes que ficavam cada vez mais hostis e ameaçadoras. Desamparada e descrente, eu comecei a recuar para este mundo interno tenebroso, em que as vozes estavam destinadas a se tornar tanto minhas perseguidoras como companhias percebidas só por mim. Elas me diziam, por exemplo, que se eu provasse que merecia a ajuda delas, então elas podiam fazer minha vida voltar ao que era antes, e foi criada uma sequência de tarefas cada vez mais bizarras, como os trabalhos de Hércules. Ela começava com coisas pequenas, por exemplo, puxar três fios de cabelo, mas, gradualmente, ficava cada vez mais extrema, culminando em ordens para machucar a mim mesma, e uma instrução particularmente dramática:

“Você está vendo o tutor ali? Você está vendo aquele copo d’água? Pois bem, você terá de ir até lá e jogar água nele, na frente dos outros alunos.”

O que eu acabei fazendo, e não é preciso dizer que isso não me fez popular na faculdade.

Com efeito, um ciclo de medo, esquiva, desconfiança e mal-entendido foi estabelecido, e isso foi uma batalha em que me sentia impotente e incapaz de estabelecer qualquer tipo de paz ou reconciliação.

Dois anos depois, a deterioração foi dramática. Àquela altura, eu tinha todo o repertório frenético: vozes assustadoras, visões grotescas, alucinações bizarras e incuráveis. Minha saúde mental era um catalisador para discriminação, abuso verbal, e assédio físico e sexual, e fui avisada pelo meu psiquiatra: “Eleanor, era melhor que você tivesse câncer, pois o câncer é mais fácil de curar do que a esquizofrenia.” Eu fui diagnosticada, drogada e descartada, e, a essa altura, estava tão atormentada pelas vozes, que tentei fazer um buraco na minha cabeça para que elas saíssem.

Vendo agora minha ruína e desespero daqueles anos, parece para mim como se alguém tivesse morrido naquele lugar, e ainda assim, outro alguém foi salvo. Uma pessoa quebrada e assombrada começou esta jornada, mas a pessoa que emergiu foi uma sobrevivente e iria crescer finalmente dentro da pessoa que eu estava destinada a ser.

Muitas pessoas me machucaram em minha vida, e eu lembro de todas elas, mas as memórias empalidecem e desvanecem em comparação com as pessoas que me ajudaram. Os colegas sobreviventes, os colegas que ouvem vozes, os camaradas e colaboradores; a mãe que nunca desistiu de mim, que sabia que um dia eu voltaria para ela e estava disposta a esperar por mim tanto tempo quanto fosse preciso; o médico que me atendeu apenas por um breve período, mas que reforçou sua crença de que a recuperação não só era possível, mas inevitável, e durante um período devastador de recaída disse a minha família: “Não desistam. Eu acredito que a Eleanor pode sair dessa. Às vezes, sabem, pode nevar até o fim de maio, mas o verão sempre chega finalmente.”

Quatorze minutos não é tempo suficiente para agradecer todas essas pessoas boas e generosas que lutaram comigo e por mim e que esperaram para me ver de volta daquele lugar solitário e agonizante. Mas juntas, elas forjaram um misto de coragem, criatividade, integridade e uma crença inabalável de que o meu eu despedaçado pudesse ser curado e integrado. Eu costumava dizer que essas pessoas me salvaram, mas o que sei agora é que elas fizeram algo ainda mais importante, e me deram o poder para salvar a mim mesma, e, de forma crucial, elas me ajudaram a entender algo que eu suspeitava desde sempre: que minhas vozes eram uma resposta significativa para eventos traumáticos, especialmente eventos da infância, e, dessa forma, elas não eram minhas inimigas, mas uma fonte de reflexão para resolver problemas emocionais.

A princípio, isso foi muito difícil de acreditar, principalmente porque as vozes pareciam tão hostis e ameaçadoras. Nesse aspecto, um passo vital foi aprender a separar um significado metafórico do que eu antes interpretava como uma verdade literal. Por exemplo, sobre as vozes que ameaçavam atacar minha casa eu aprendi a interpretá-las como meu próprio sentido de medo e insegurança no mundo, ao invés de um perigo real e objetivo.

No começo, eu teria acreditado nelas. Por exemplo, eu lembro de uma noite que fiquei de guarda na frente do quarto dos meus pais para protegê-los do que eu pensava que era uma ameaça genuína das vozes. Como eu tinha um problema sério com automutilação e a maior parte dos objetos cortantes da casa estavam escondidos, eu acabei me armando com um garfo de plástico, daqueles de piquenique, e fiquei sentada na frente do quarto com ele no bolso e esperando para usá-lo se alguma coisa acontecesse. Eu estava tipo: “Não mexa comigo. Eu tenho um garfo de plástico, sabia?” Bem estratégico.

Mas uma resposta tardia, e muito mais útil, seria tentar desconstruir a mensagem por trás das palavras. Então, quando as vozes me avisavam para não sair de casa, eu agradecia a elas por me alertarem sobre como me sentia insegura — pois se eu estivesse alerta disso, então poderia fazer algo positivo quanto a isso — mas eu iria em frente para assegurar a elas e a mim mesma de que estávamos seguras e não precisávamos sentir medo. Eu colocava limites para as vozes, e tentava interagir com elas de uma maneira que fosse firme mas também respeitosa, estabelecendo um lento processo de comunicação e colaboração, em que nós pudéssemos aprender a trabalhar juntas e apoiar umas às outras.

Ao longo disso tudo, o que eu percebi finalmente foi que cada voz estava intimamente relacionada a aspectos de mim mesma, e cada uma delas trazia emoções irresistíveis que nunca tive chance de processar ou resolver, memórias de trauma sexual ou abuso, de raiva, vergonha, culpa, baixa autoestima. As vozes tomaram o lugar dessa dor e deram palavras a ela, e possivelmente uma das maiores revelações foi quando descobri que a maioria das vozes hostis e agressivas representavam, na verdade, as partes de mim que foram machucadas profundamente, e assim, eram estas vozes que precisavam receber maior compaixão e cuidado.

Foi com este conhecimento que finalmente consegui juntar o meu eu despedaçado, cada fragmento representado por uma voz diferente. Gradualmente, parei com toda minha medicação, e voltei para a psiquiatria, só que, desta vez, do outro lado. Dez anos depois que a primeira voz apareceu, eu finalmente me formei, desta vez com o grau mais elevado em psicologia que a universidade já concedeu, e um ano depois, o grau mais elevado no mestrado, o que não é nada mau para uma maluca. De fato, uma das vozes ditou as respostas durante o exame, o que tecnicamente conta como trapaça.

(Risos)

E para ser honesta, às vezes eu gostava da atenção delas. Como Oscar Wilde dizia, a única coisa pior do que ser comentado é não ser comentado. Isso também é muito bom para escutar escondido, pois é possível escutar duas conversas ao mesmo tempo. Então não é de todo ruim.

Eu trabalhei em atendimentos de saúde mental, eu falei em conferências, eu publiquei capítulos de livros e artigos acadêmicos, e eu discuti, e continuo a fazer isso, a relevância do seguinte conceito: que uma questão importante na psiquiatria não deve ser sobre o que está errado com você, mas sobre o que aconteceu com você. E durante esse tempo, eu ouvi as minhas vozes, com quem eu finalmente aprendi a viver em paz e respeito e que, por sua vez, refletiram um sentido crescente de compaixão, aceitação e respeito para comigo mesma. E me lembro do momento mais comovente e extraordinário quando dei apoio a outra jovem que estava aterrorizada por suas vozes, e me dei conta, pela primeira vez, de que eu não me sentia mais daquela maneira e finalmente era capaz de ajudar alguém assim.

Eu estou muito orgulhosa de ser parte do Intervoice, o conselho organizacional do International Hearing Voices Movement, uma iniciativa inspirada pelo trabalho do Professor Marius Romme e da Doutora Sandra Escher, que estabelecem a escuta de vozes como uma estratégia de sobrevivência, uma reação sã para circunstâncias insanas, não como um sintoma aberrante de esquizofrenia a ser suportado, mas como uma experiência complexa, importante e significativa a ser explorada. Juntos, nós imaginamos e decretamos uma sociedade que compreende e respeita a escuta de vozes, dá suporte às necessidades dos indivíduos que escutam vozes, e que os valoriza como cidadãos completos. Este tipo de sociedade não é só possível, ela já está a caminho. Para parafrasear Chavez, uma vez que a mudança social começa, ela não pode ser revertida. Você não pode humilhar a pessoa que sente orgulho. Você não pode oprimir as pessoas que não têm mais medo.

Para mim, as conquistas do Hearing Voices Movement são um lembrete de que empatia, companheirismo, justiça e respeito são mais do que palavras; elas são convicções e crenças, e estas crenças podem mudar o mundo. Nos últimos 20 anos, o Hearing Voices Movement estabeleceu redes de escuta de vozes em 26 países, de cinco continentes, trabalhando juntos para promover dignidade, solidariedade e capacitação para indivíduos com angústia mental, para criar uma nova linguagem e prática de esperança, na qual, em seu núcleo, se encontra uma crença inabalável no poder do indivíduo.

Como Peter Levine disse, o animal humano é um ser singular, dotado de uma capacidade instintiva de se curar e o espírito intelectual para aproveitar esta capacidade inata. Neste aspecto, para os membros dessa sociedade, não há maior honra ou privilégio do que facilitar este processo de cura para alguém, dar testemunho, oferecer ajuda, compartilhar a maldição do sofrimento do outro, e manter a esperança de sua recuperação. E da mesma forma, para os sobreviventes dessa angústia e adversidade, lembramos que não precisamos viver nossas vidas definidas para sempre pelas coisas danosas que nos aconteceram. Nós somos singulares. Somos insubstituíveis. O que reside em nós jamais pode ser subjugado, distorcido ou levado embora. A luz nunca se apaga.

Como um médico maravilhoso me disse uma vez: “Não me fale o que as outras pessoas dizem sobre você. Fale-me sobre você.”

Obrigada.

Fonte: TED