O ARGENTINO DO MUNDO….


Aqui. Hoje.

 

Já somos o esquecimento que seremos.
A poeira elementar que nos ignora
e que foi o ruivo Adão e que é agora
todos os homens e que não veremos.
Já somos na tumba as duas datas
do princípio e do término, o esquife,
a obscena corrupção e a mortalha,
os ritos da morte e as elegias.

Não sou o insensato que se aferra

ao mágico sonido de teu nome:
penso com esperança naquele homem
que não saberá que fui sobre a Terra.
Embaixo do indiferente azul do céu
esta meditação é um consolo.

Jorge Luis Borges

(Tradução: Charles Kiefer)

 

JOIA RARA….

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JOIA RARA

Gilberto Gil

Ontem veio a chuva
Hoje veio o vento
A qualquer momento
O fogo viráCoração vadio
Tem que estar atento
Pois cada elemento
Terá seu lugarÁgua e ar e fogo
Terra pedregosa
Pedra preciosa
Tudo a merecerUm canto na alma
Um tapa na cara
Uma joia rara
Um tanto sofrerUma joia rara
Um tanto sofrer

No meio do rio
A voz do barqueiro
Lança o desafio
Buda há de escutar

No meio da noite
No meio do frio
Ao fisgar do açoite
Buda há de encontrar

Justo, justo meigo
Entre o belo e o feio
Longe do receio
Perto do Sonhar

Onde o amor se esconde
Onde o amor se ampara
Uma joia rara
Um certo penar

Uma joia rara
Um certo penar

http://www.vagalume.com.br/gilberto-gil/joia-rara.html

É A VIDA…É BONITA E É BONITA….

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O Que É, O Que É?

Gonzaguinha

Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita

Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita

Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita

E a vida
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida de um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!

E a vida
Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão

Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo

Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor

Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer

Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser

Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte

E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita

Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita

ESPELHO…

ESPELHO COM IMAGEM DE MULHER

Mario Quintana


O ESPELHO

E como eu passasse por diante do espelho
não vi meu quarto com as suas estantes

nem este meu rosto
onde escorre o tempo.

Vi primeiro uns retratos na parede:
janelas onde olham avós hirsutos
e as vovozinhas de saia-balão
Como pára-quedistas às avessas que subissem do
fundo do tempo.

O relógio marcava a hora
mas não dizia o dia. O Tempo,
desconcertado,
estava parado.

Sim, estava parado
Em cima do telhado…
Como um catavento que perdeu as asas!

http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet261.htm

ESPELHO…


John William Waterhouse, Eco e Narciso (1903)
John William Waterhouse, Eco e Narciso (1903)

Jorge Luis Borges

AO ESPELHO

Por que persistes, incessante espelho?
Por que repetes, misterioso irmão,
O menor movimento de minha mão?
Por que na sombra o súbito reflexo?

És o outro eu sobre o qual fala o grego
E desde sempre espreitas. Na brunidura
Da água incerta ou do cristal que dura
Me buscas e é inútil estar cego.

O fato de não te ver e saber-te
Te agrega horror, coisa de magia que ousas
Multiplicar a cifra dessas coisas

Que somos e que abarcam nossa sorte.
Quando eu estiver morto, copiarás outro
E depois outro, e outro, e outro, e outro…

AL ESPEJO

¿Por qué persistes, incesante espejo?
¿Por qué duplicas, misterioso hermano,
el movimiento de mi mano?
¿Por qué en la sombra el súbito reflejo?

Eres el otro yo de que habla el griego
y acechas desde siempre. En la tersura
del agua incierta o del cristal que dura
me buscas y es inútil estar ciego.

El hecho de no verte y de saberte
te agrega horror, cosa de magia que osas
multiplicar la cifra de las cosas

que somos y que abarcan nuestra suerte.
Cuando esté muerto, copiarás a otro
y luego a otro, a otro, a otro, a otro…

http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet261.htm

DIANTE DO ESPELHO……


Diego Velásquez - Vênus ao Espelho (1647)
Diego Velásquez, Vênus ao Espelho (1647)

Cecília Meireles

MULHER AO ESPELHO

Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal fez essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet261.htm

arcoirisO ELOGIO DA ESCURIDÃO

[Um célebre escritor argentino nos fala das benesses preciosas trazidas a ele pelas sombras de sua cegueira.]
Em 1955, tive a honra de ser nomeado diretor da Biblioteca Nacional Argentina. Sempre imaginei o paraíso como uma biblioteca. (Outros pensam nele como um jardim ou, talvez, um palácio.) Lá estava eu, no meio de 900.000 livros em vários idiomas. No entanto, quase não conseguia ler-lhes os títulos, as lombadas. Poder-se-ia dizer que, praticamente, para meus olhos cegos, aqueles livros estavam em branco, vazios.
Continuo cego de um olho, mas tenho visão parcial no outro, e consigo distinguir algumas cores. As pessoas pensam que os cegos vivem em total escuridão, mas o seu mundo não é a noite que as pessoas imaginam. Vivemos num ambiente impreciso, no qual poucas cores aparecem. O branco desapareceu ou se transformou em cinzento. No meu caso, ainda existem o amarelo, o azul e o verde. Eu, que tinha o hábito de dormir em completa escuridão, fiquei durante longo tempo perturbado por ter de fazê-lo neste mundo tenebroso, esverdeado ou azulado, o vagamente luminoso nevoeiro no qual os cegos vivem mergulhados.
Assim, uma das cores que os cegos lamentam já não poderem ver é o negro; o mesmo acontece com o vermelho. Tenho a esperança de que um dia, com os tratamentos, eu possa enxergá-lo. Essa magnífica cor brilha na poesia e tem nomes lindos em tantos idiomas: SCHARLACH em alemão, SCARLET em inglês, ESCARLATA em espanhol, ÉCARLATE em francês.
Como havia perdido o amado mundo das aparências, resolvi inventar outra coisa; eu criaria o futuro, aquele que vem depois do mundo visível que desaparecera para mim. Era professor de literatura inglesa na Universidade Argentina. Que poderia fazer para ensinar essa disciplina, que ultrapassa os limites da vida do homem e das gerações?
“Tive uma idéia”, disse então a uns alunos que haviam acabado de se bacharelar. “Agora que vocês estão formados, não seria interessante estudar a língua e a literatura inglesas livres da frivolidade dos exames? Vamos começar pelo princípio.”
Numa manhã de sábado, reunimo-nos no meu escritório e começamos a ler THE ANGLO-SAXON READER e THE ANGLO-SAXON CHRONICLE. Cada palavra se destacava como se estivesse gravada, como se fosse um talismã. É devido a isso que os versos em língua estrangeira nos parecem em relevo, de um modo que não acontece na própria língua, pois então ouvimos e vemos cada palavra, pensamos na sua beleza, força ou simplesmente estranheza.
Quase nos embriagamos com o som de duas palavras: o nome de Londres, LUNDENBURH, LONDRESBURGO, e o de Roma, ROMEBURH, ROMABURGO. Essa sensação ainda se tornou mais intensa quando nos demos conta de que a luz de Roma havia atingido aquelas ilhas boreais perdidas. Penso que fomos para a rua gritando LUNDENBURH, ROMEBURH.
Eu havia substituído o mundo visível pelo audível da linguagem anglo-saxônica. Daí passei para outro ainda, mais rico e mais antigo, o da literatura escandinava; passei para as EDDAS e as sagas. Mais tarde escrevi um ENSAIO SOBRE A ANTIGA LITERATURA GERMÂNICA. Criei muitos poemas baseados nos temas dessa literatura, mas sobretudo o que me encantava era ela própria.
Não permiti que a cegueira me derrotasse. Além disso, meu editor me trouxe excelentes notícias: se eu lhe entregasse 30 poemas por ano, ele os publicaria em forma de livro. Trinta poemas. Para isso era preciso disciplina, especialmente quando é necessário ditar cada linha. Ao mesmo tempo, porém, eu tinha suficiente liberdade, porque num ano surgem 30 oportunidades para escrever um poema. A cegueira não foi para mim uma desgraça total. Deveria ser considerada como um modo de viver, nem por isso completamente infeliz; um estilo de vida como qualquer outro.
Ser cego tem as suas vantagens. Pessoalmente, devo certas dádivas às sombras: o anglo-saxão e os rudimentos do islandês. Existe também a alegria de muitos poemas, além de ter escrito livros, inclusive um chamado, não sem alguma duplicidade, como se de um desafio se tratasse, O ELOGIO DA ESCURIDÃO. Os cegos também se sentem cercados de carinho. Todo mundo tem afeto pelos cegos.
O poeta espanhol frei Luis de León escreveu:

Quero viver comigo,
Gozar o bem que devo aos céus,
Sozinho, sem testemunhas,
Livre do amor, do ciúme,
Do ódio, da esperança, dos cuidados.

 

Se concordarmos que entre as benesses que nos são enviadas pelos céus está a escuridão, quem poderá viver melhor consigo próprio, quem será capaz de se conhecer melhor, como disse Sócrates, do que um cego?
Gostaria de evocar aqui outros casos ilustres. Não sabemos se Homero existiu mesmo; talvez não houvesse um só Homero mas muitos gregos escondidos sob esse nome. Eles, porém, gostavam de imaginar que o poeta era cego, para realçar o fato de que a poesia é antes de tudo música, e a faculdade visual pode ou não estar presente num poeta.
A cegueira de John Milton foi proposital. Ele estragou sua visão escrevendo panfletos em defesa da execução do rei pelo parlamento. Costumava dizer que havia perdido a vista em defesa da liberdade. Ele falava dessa nobre tarefa e não se queixava por ser cego. Compunha versos e sua memória melhorou. Após cegar, Milton passava muito tempo sozinho. Escreveu um longo poema, PARAÍSO PERDIDO, sobre o tema de Adão, pai de todos nós. Embora cego, Milton conseguia manter na cabeça 40 ou 50 hendecassílabos, que depois ditava às pessoas que vinham visitá-lo. Foi assim que escreveu PARAÍSO PERDIDO.
Vamos lembrar outro exemplo, o de James Joyce. A quase infinita língua inglesa, que tantas possibilidades oferece ao escritor, não lhe era suficiente. O irlandês Joyce lembrou-se de que Dublin havia sido fundada por vikings dinamarqueses. Assimilou o norueguês, depois estudou grego e latim. Aprendeu muitos idiomas, e acabou escrevendo num idioma que ele próprio inventou, difícil de entender, mas que possui uma estranha musicalidade. E declarou corajosamente: “De todas as coisas que me aconteceram, a menos importante foi a cegueira.” Parte da vasta obra que deixou foi escrita na escuridão, trabalhando as frases de memória, às vezes passando um dia inteiro preocupado com uma única frase.
Um escritor, um artista ou qualquer pessoa deveria ver nas coisas que lhe sucedem uma como ferramenta, deveria pensar que tudo lhe é dado com alguma finalidade. O que lhe acontece, inclusive as humilhações, fracassos, desgraças, é-lhe dado como uma argila, como matéria para sua arte. É preciso tentar beneficiar-se disso. Tais coisas nos foram destinadas para as transformarmos, a fim de que, a partir das circunstâncias dolorosas de nossas vidas, possamos fazer algo de eterno ou que aspire a sê-lo. Se um cego pensar dessa maneira, estará salvo. A cegueira é uma dádiva.
Pense no crepúsculo. Ao cair da noite, as coisas mais próximas desaparecem, exatamente como o mundo visível se afastou de mim, talvez para sempre. A cegueira não é uma desgraça total. É mais um instrumento que o destino ou a sorte colocou em nosso caminho.

(JORGE LUIS BORGES)

Trecho retirado do texto – Borges e Eu– Por Glauco Mattoso – (agosto de 2001)

LINK:http://www.roteirosonline.com.br/borges.htm

TINHA MEDO DE ESPELHOS……

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Arnaldo Nogueira Jr
28/02/2014 – 17:50:10


Jorge Luis Borges

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Último texto

Uma oração

Jorge Luis Borges


Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.

Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.


Jorge Luis Borges
 nasceu em 1899 na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina e faleceu em Genebra, no ano de 1986. É considerado o maior poeta argentino de todos os tempos e é, sem dúvida, um dos mais importantes escritores da literatura mundial.

“Seu texto é sempre o de uma pessoa que, reconhecendo honestamente a fragilidade e as limitações do ser humano, nos coloca diante de reflexões nas quais, com freqüência, está presente o nosso próprio destino.” (Miguel A. Paladino).

Algumas obras do autor:

– Fervor de Buenos Aires
– Lua de frente
– Inquisições (renegado pelo autor)
– O Aleph
– Ficções
– História Universal da infâmia
– O informe de Brodie
– O livro de areia
– O livro dos seres imaginários
– História da eternidade
– Nova antologia pessoal
– Prólogos
– Discussão
– Buda
– Sete noites
– Os conjurados
– Um ensaio autobiográfico (com Norman Thomas di Giovanni)
– Obras completas (4 volumes)
– Elogio da sombra


O poema acima foi extraído do livro “Elogio da Sombra”, Editora Globo – Porto Alegre, 2001, pág. 75 (tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques; revisão da tradução: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz).

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© Projeto Releituras — Todos os direitos reservados. O Projeto Releituras — um sítio sem fins lucrativos — tem como objetivo divulgar trabalhos de escritores nacionais e estrangeiros, buscando, sempre que possível, seu lado humorístico,
satírico ou irônico. Aguardamos dos amigos leitores críticas, comentários e sugestões.
A todos, muito obrigado. Arnaldo Nogueira Júnior. ® @njo

The Hot Brown: A Jazz Age Sandwich Survives

I LOVED IT.

FRED SAUCEMAN

This Kentucky Hot Brown dish was made by Louisville Stoneware. Photo by Fed Sauceman This Kentucky Hot Brown dish was made by Louisville Stoneware. Photo by Fed Sauceman

Guests at the Brown Hotel in Louisville, Kentucky, had grown tired of ham and eggs. During the Jazz Age, the “Roaring Twenties,” a crowd of over 1,200 for the dinner dance at the new hotel at the corner Fourth and Broad was common.

Financed by Louisville businessman J. Graham Brown to the tune of $4 million, the hotel opened its doors on October 25, 1923. David Lloyd George, the former Prime Minister of Great Britain, was the first person to sign the guest register. Actress and singer Lily Pons kept a lion cub in her suite. Al Jolson got into the fight in the hotel’s English Grill and hid the results with makeup. Future actor Victor Mature operated the hotel elevator.

The Brown quickly became the social and business center of Louisville. When the…

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Miradoiro — poema de António Manuel Couto Viana

LISBOA EM LISBOA…..

vicio da poesia

Miradouro

Hoje, que a luz banha Lisboa e o cheiro da Primavera começa a soprar, da janela onde vejo o rio, ocorre-me este poema de António Manuel Couto Viana (1923-2010), Miradoiro, pérola no descrever do sentimento que a paisagem inspira.

A foto, fi-la, anos vai, ao olhar Lisboa a partir de Alcochete, na margem sul do rio Tejo.

Miradoiro

Frágeis, acenam alvos lenços d’asas

As gaivotas que a brisa, mansa, embala.

O rio azula, emoldurado em casas

— Que lindo quadro para pôr na sala!

 

No lírico perfil fogem veleiros,

Onde embarquei uns restos de ansiedade;

E, no cais, os guindastes e os cargueiros

São prática e viril realidade.

 

É mentira, talvez,

Assinar com meu nome esta poesia:

O Tejo foi quem na fez…

Cheira a limos, a sal, a maresia!

Poema publicado no livro No Sossego da Hora, 1949, Prémio Antero de Quental.

Transcrito de

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PORQUE A POESIA É LINDA….

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A Grande Ausente

Taiguara

A minha amada
Vinha sempre nessa estrada
Carregada de carinho
Nada tinha em seu caminho
Que não fosse todo seu
E eu também era todo seu
Até que o amor nos dividiu
O amor parou e ela seguiu
Sem compaixão de me deixar
Com esse amor que é de assustar
E sem sequer saber chorar
Meu coração fraqueja
Devagar que seja
Vai morrer
Ai, volte e me proteja
Contras as garras desse amor
Que dilacera um trovador
Vencido que ainda espera

Oh, minha amada
Enfeitei a nossa estrada
Com palmeira e passarinho
Pra que surjas de mansinho
Só vestida de luar
Que eu vou depois me abandonar
Por dentro dos teus anseios
Meus receios vão se acabar

 http://letras.mus.br/taiguara/398250/

 

Estranha coisa esta, a poesia — Fernando Namora

LINDAS PALAVRAS…..IMAGENS MARAVILHOSAS….COMO LETRA E MELODIA DE UMA LINDA MÚSICA…

vicio da poesia

kadar Bela  (1877-1955) figures in a square watercolor on cardboardA

Estranha coisa esta, a poesia,

que vai entornando mágoa nas horas

como um orvalho morno escorrendo dos vidros

numa tarde incorpórea…

A obra em prosa de Fernando Namora (1919-1989) é um exemplo lapidar do efémero da fama e da volubilidade do gosto das multidões. Escritor de best-sellers, vendendo de cada obra aos milhares de exemplares, esgotando edições sucessivas, repousa hoje no mais absoluto esquecimento.

Tendo começado por publicar três livros de poesia (1938, 1940, 1941), reuniu uma escolha desses poemas com alguns inéditos num único volume — As Frias Madrugadas— e só cerca de trinta anos volvidos (Marketing, 1969) voltou a publicar novos poemas.

Esta obra poética permaneceu na sombra do sucesso da prosa. Folheio-a hoje e encontro alguns poemas que vale a pena conhecer.

 

Em inicio de percurso a desilusão com as mulheres em A outra canção perdida, embora com a porta aberta à esperança:

Apenas…

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