Resenha: “O cachorro e o lobo”, Antônio Torres

LINDO……..

Falando em Literatura...

E assim se passaram vinte anos, pensarei, ao chegar lá. Assim se passaram vinte anos sem eu ver estes rostos , sem ouvir estas vozes, sem sentir o cheiro do alecrim e das flores do mês de maio. (p. 17)

O cachorro e o lobo  é o segundo livro da trilogia da saga de uma família baiana, o primeiro é o Essa terra e o terceiro é Pelo fundo da agulha. Em “Essa Terra“,  um dos livros mais belos e emotivos que já li, acontece o suicídio de Nelo, o filho pródigo. Em “O Cachorro e o Lobo” o personagem principal é o irmão dele, Antão Filho, o Totonhim, que vai embora do Junco, interior da Bahia e não volta à cidade durante vinte anos. Ele vai para São Paulo justamente depois do suicídio do irmão, que morre quatro semanas depois de regressar sentindo- se um…

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Antes que o tempo feche

…PRESTE ATENÇÃO…

Mariel Fernandes

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Não espero a esperança, nada peço a ela. Apenas me desfaço, me despeço e amanheço o que for possível. Lanço luzes nas manhãs rotineiras, falo alto para quietudes acomodadas, desalojo processos, destranco ruas, liberto risos, entardeço, aqueço jardins de inverno. Há quem se incomode e lance aqueles olhares afetados. Foram tantos vida à fora que me habituei aos rituais de expulsão dos clubes dos quais nunca fiz parte. Sou da tarde, da pipa, da revista, da mão dada, tenho o corpo fechado pela risada, habitado por uma alma enluarada, meu tempo é o sempre. Nem mais, nem menos, comparações são pobres, rasas, tristes. Ah, porque o PT. Ah, porque a Xuxa, ah a imprensa golpista. Ah, vai ter copa. Ah, não vai ter. Ah, o BBB. Ah, aumentou meu número de seguidores. Ah, diminuiu o de expectadores. Ah, não tem mais jeito. Ah, essa é a única forma. Ah, homem…

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A implosão da mentira – Fragmento 1 – Affonso Romano de Sant’Anna

..conjugando o verbo mentir…

Poesias Preferidas

Lobo Em Pele de Cordeiro
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.

Affonso Romano de Sant’Anna

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