BEM LEMBRADO, FERNANDA…

Vladimir Nabokov

Vladimir Nabokov

Russia

1899 // 1977
Escritor

FRAGMENTOS DE VLADIMIR NABOKOV

“Parece-me que na escala das medidas universais há um ponto em que a imaginação e o conhecimento se cruzam, um ponto em que se atinge a diminuição das coisas grandes e o aumento das coisas pequenas: é o ponto da arte.”
“Um pensamento, quando é escrito, é menos opressor, embora às vezes se comporte como um tumor maligno: mesmo se extirpado ou arrancado, volta a desenvolver-se, tornando-se pior do que antes.”
 

“Ao homem livre não faz falta um deus.”

“Penso como um génio, escrevo como um autor distinto e falo como uma criança.”
 

“Sei mais do que aquilo que posso exprimir em palavras, e o pouco que posso exprimir não o teria exprimido se tivesse sabido mais.”

“O que procuramos na literatura é um estremecimento na espinha dorsal.”

“Todas as famílias felizes são mais ou menos diferentes; todas as famílias desgraçadas são mais ou menos iguais.”
“Uma boa gargalhada é o melhor pesticida que existe.”

“A vida é uma grande surpresa. Não vejo por que razão a morte seria uma maior.”

CLARICE

A paixão segundo

“Fragmentos de “A PAIXÂO SEGUNDO G.H.”

de Clarice Lispector

“Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade”.

“Uma forma contorna o caos, uma forma dá construção à substância amorfa – a visão de uma carne infinita é a visão dos loucos, mas se eu cortar a carne em pedaços e distribuí-los pelos dias e pelas fomes – então ela não será mais a perdição e a loucura: será de novo a vida humanizada.”

Antes, sempre que eu havia tentado, meus limites me davam uma sensação física de incômodo, em mim qualquer começo de pensamento esbarra logo com a testa.”

FLAGRANTES

MADRESSILVASFlagrantes

Olho as fotos à minha frente

e  cada momento vivido,

REVIVO!

Papai sentado à porta de casa,

observando meu bebê que, no carrinho,

lhe oferecia os braços, sorrindo.

O sorriso mais lindo!

Sobre a cama o chapeuzinho do meu pequeno.

Tão pequenino!

Na casa de minha avó

o cheiro de Mariazinha.

Tão nossa!

Tão minha!

A velha madressilva recostada ao muro,

exala o seu aroma mais puro.

Mergulho!

Então, o primeiro aninho do nosso menino.

O coelhinho  tem o nariz bem vermelhinho!

Insegura,

seguro a barriga que ansiava o oitavo mês.

Era o da vez!

Minha menina segura, sem jeito,

nos braços, o irmãozinho.

Que lindo!

As lágrimas se misturam a meus olhos que choram.

Memórias!

Por Rosânia Bastos

CONSTRUÇÃO

mãos em concha

Tenho pressa,

preciso avançar.

É que ainda estou no arcabouço

dessa construção de 50 anos.

Já construí, desconstruí e reconstruí tantas vezes

que até perdi a conta.

O tempo correu ligeiro;

escapou-me qual água guardada nas mãos.

É que faz pouquíssimo tempo,

talvez ontem,

que  experimentei fazer das mãos concha 

e da concha fazer mãos.

RB

 

“NO MEIO DO CAMINHO”

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

No Meio do Caminho

Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

http://letras.mus.br/carlos-drummond-de-andrade/807509

Análise

A repetição da frase, assim como a utilização do verbo em sua forma mais popular – tinha, ao invés de havia – deu a este poema o condão da  imortalidade. Seja pelas severas críticas, que devemos convir, mais políticas que literárias, ou pela solução do problema apresentado com tão implicante metáfora.

“Havia uma pedra no caminho” remete-nos à especulação de que algo deveras inusitado aconteceu na vida do Poeta.  A figura metafórica da pedra enseja  um acontecimento de tal magnitude que o fez parar, refletir, estancar.

Não nos parece viável fazer ilações acerca da qualidade do acontecimento.   “Nunca esquecerei”.

“Na vida de minhas retinas tão fatigadas”, a nosso ver, não nos autoriza a qualificar o acontecimento. Há quem defenda tratar-se de um reforço à infelicidade confrontada. Não acreditamos, entretanto, ser este o melhor caminho.

Por Rosânia Bastos

IMS lança nova edição de fortuna crítica de Drummond

24 de novembro de 2010 | 10h 04
AE – Agência Estado

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) costumava dizer que, se cometesse um crime, bastava sumir e reaparecer 10 anos depois, que o crime haveria prescrito. Mas que, em relação ao poema “No Meio do Caminho”, escrito em 1924, podiam se passar 50 anos e ele nunca deixaria de ser julgado. Tal noção o levou, ao longo de toda a vida, a recortar e guardar cada crítica, comentário e charge feitos sobre os versos “No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho…”, publicados na Revista de Antropofagia, em 1928, e, 2 anos depois, incluídos em seu livro de estreia, “Alguma Poesia”.

O resultado desse esforço de compilação, o poeta mineiro trouxe a público em 1967, ao lançar “Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de Um Poema”, uma resposta irônica, às vésperas dos 40 anos daquela primeira publicação. O livro que o Instituto Moreira Salles lança hoje, no Rio, em homenagem aos 80 anos de “Alguma Poesia”, é uma edição ampliada da “Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de Um Poema”. O trabalho ficou a cargo do poeta Eucanaã Ferraz, que contou com a ajuda de Drummond para a nova edição – mesmo depois de publicar a biografia, o poeta continuou a arquivar a crítica relativa a “No Meio do Caminho” – e incluiu, ao final, uma “biografia da biografia”, com as resenhas sobre o título de 1967.

“Drummond guardou muita coisa que saiu sobre ele, em pastas, por assunto ou pelo sobrenome do crítico”, diz Ferraz, destacando a consciência do poeta, que trabalhou por muitos anos no Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), sobre a importância da preservação da memória. “A diferença, no que diz respeito a No Meio do Caminho, é que ele arquivou tudo não sobre o livro que o continha, mas sobre aquele poema”. Ferraz destaca que, embora não tenha escrito uma linha da biografia – o prefácio ficou a cargo do português Arnaldo Saraiva -, Drummond fez sua leitura sobre as críticas, ao separá-las em capítulos com títulos como Muita Gente Irritada, Das Incompreensões e Popularidade.

IMS lança nova edição de fortuna crítica de Drummond

Crítica – O poema “No Meio do Caminho” não repercutiu ao ser publicado na Revista da Antropofagia nem ao sair em livro – neste segundo momento, lembra Ferraz, os versos acabaram eclipsados pelo “Poema de Sete Faces”, considerado, à época, sem pé nem cabeça. Em 1934, quando Drummond assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde Pública, os primeiros críticos passaram a usar o poema da pedra contra o autor.

Considerados pobres e repetitivos (“O sr. Drummond é difícil. Por mais que esprema o cérebro, não sai nada. Vê uma pedra no meio do caminho e fica repetindo a coisa, feito papagaio”, escreve Gondin da Fonseca, em 1938), rejeitados por “brasileirismo grosseiro, erro crasso de português” (conforme crítica da Folha da Manhã, em 1942, pelo uso do popular “tinha” no lugar do correto “havia”), os versos facilitaram a vida dos críticos do modernismo. A discussão incomodava ao poeta. Mas ele percebeu que, graças a ela, tinha um livro sobre “como uma obra de arte sai do seu universo e ganha dimensão social”, como descreve Eucanaã Ferraz. “Não adiantou Drummond dizer que isso não era digno de tanta atenção. Oitenta anos depois, ainda estamos falando sobre o tema”, diz Ferraz. As informações são do Jornal da Tarde.
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ims-lanca-nova-edicao-de-fortuna-critica-de-drummond,644556,0.htm

PROJETO RELEITURAS – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – BIOGRAFIA


Nome: 
Carlos Drummond
de Andrade

Nascimento:
31/10/1902

Natural:
Itabira – MG

Morte:
17/08/1987

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Carlos Drummond de Andrade


(…) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(…) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

(Resíduo)



Carlos Drummond de Andrade
 nasceu em Itabira do Mato Dentro – MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por “insubordinação mental”. De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, noJornal do Brasil.

O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros deDrummondAlguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.

Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. EmSentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo(1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.

Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.

Em mão contrária traduziu os seguintes autores estrangeiros: Balzac (Les Paysans, 1845; Os camponeses), Choderlos de Laclos (Les Liaisons dangereuses, 1782; As relações perigosas), Marcel Proust (La Fugitive, 1925; A fugitiva), García Lorca (Doña Rosita, la soltera o el lenguaje de las flores, 1935; Dona Rosita, a solteira), François Mauriac (Thérèse Desqueyroux, 1927; Uma gota de veneno) e Molière (Les Fourberies de Scapin, 1677; Artimanhas de Scapino).

Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

Cronologia:

1902 – Nasce em Itabira do Mato Dentro, Estado de Minas Gerais; nono filho de Carlos de Paula Andrade, fazendeiro, e D. Julieta Augusta Drummond de Andrade.

1910 – Inicia o curso primário no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito, em Itabira (MG).

1916 – Aluno interno no Colégio Arnaldo, da Congregação do Verbo Divino, Belo Horizonte. Conhece Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco. Por problemas de saúde, interrompe seus estudos no segundo ano.

1917 – Toma aulas particulares com o professor Emílio Magalhães, em Itabira.

1918 – Aluno interno no Colégio Anchieta, da Companhia de Jesus, em Nova Friburgo; é laureado em “certames literários”. Seu irmão Altivo publica, no único exemplar do jornalzinho Maio, seu poema em prosa “ONDA”.

1919 – Expulso do Colégio Anchieta mesmo depois de ter sido obrigado a retratar-se. Justificativa da expulsão: “insubordinação mental”.

1920 – Muda-se com a família para Belo Horizonte.

1921 – Publica seus primeiros trabalhos na seção “Sociais” do Diário de Minas. Conhece Milton Campos, Abgar Renault, Emílio Moura, Alberto Campos, Mário Casassanta, João Alphonsus, Batista Santiago, Aníbal Machado, Pedro Nava, Gabriel Passos, Heitor de Sousa e João Pinheiro Filho, todos freqüentadores do Café Estrela e da Livraria Alves.

1922 – Ganha 50 mil réis de prêmio pelo conto “Joaquim do Telhado” no concurso Novela Mineira. Publica trabalhos nas revistas Todos e Ilustração Brasileira.

1923 – Entra para a Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte.

1924 – Escreve carta a Manuel Bandeira, manifestando-lhe sua admiração. Conhece Blaise Cendrars, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Mário de Andrade no Grande Hotel de Belo Horizonte. Pouco tempo depois inicia a correspondência com Mário de Andrade, que durará até poucos dias antes da morte de Mário.

1925 – Casa-se com a senhorita Dolores Dutra de Morais, a primeira ou segunda mulher a trabalhar num emprego (como contadora numa fábrica de sapatos), em Belo Horizonte. Funda, junto com Emílio Moura e Gregoriano Canedo, A Revista, órgão modernista do qual saem 3 números.  Conclui o curso de Farmácia mas não exerce a profissão, alegando querer “preservar a saúde dos outros”.

1926 – Leciona Geografia e Português no Ginásio Sul-Americano de Itabira. Volta para Belo Horizonte, por iniciativa de Alberto Campos, para trabalhar como redator-chefe do Diário de Minas. Heitor Villa Lobos, sem conhecê-lo, compõe uma seresta sobre o poema “Cantiga de Viúvo”.

1927 – Nasce, no dia 22 de março, mas vive apenas meia hora, seu filho Carlos Flávio.

1928 – Nasce, no dia 4 de março, sua filha Maria Julieta, quem se tornará sua grande companheira ao longo da vida.  Publica na Revista de Antropofagia de São Paulo, o poema “No meio do caminho”, que se torna um dos maiores escândalos literários do Brasil. 39 anos depois publicará “Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema”, coletânea de críticas e matérias resultantes do poema ao longo dos anos. Torna-se auxiliar de redação da Revista do Ensino da Secretaria de Educação.

1929 – Deixa o Diário de Minas para trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial do Estado, como auxiliar de redação e pouco depois, redator, sob a direção de Abílio Machado.

1930 – Publica seu primeiro livro, “Alguma Poesia”, em edição de 500 exemplares paga pelo autor, sob o selo imaginário “Edições Pindorama”, criado por Eduardo Frieiro. Auxiliar de Gabinete do Secretário de Interior Cristiano Machado; passa a oficial de gabinete quando seu amigo Gustavo Capanema substitui Cristiano Machado.

1931 – Falece seu pai, Carlos de Paula Andrade, aos 70 anos.

1933 – Redator de A Tribuna. Acompanha Gustavo Capanema quando este é nomeado Interventor Federal em Minas Gerais.

1934 – Volta a ser redator dos jornais Minas Gerais, Estado de Minas e Diário da Tarde, simultaneamente. Publica “Brejo das Almas” em edição de 200 exemplares, pela cooperativa Os Amigos do Livro. Muda-se, com D. Dolores e Maria Julieta, para o Rio de Janeiro, onde passa a trabalhar como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, novo Ministro de Educação e Saúde Pública.

1935 – Responde pelo expediente da Diretoria-Geral e é membro da Comissão de Eficiência do Ministério da Educação.

1937 – Colabora na Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.

1940 – Publica “Sentimento do Mundo” em tiragem de 150 exemplares, distribuídos entre os amigos.

1941 – Assina, sob o pseudônimo “O Observador Literário”, a seção “Conversa Literária” da revista Euclides. Colabora no suplemento literário de A Manhã, dirigido por Múcio Leão e mais tarde por Jorge Lacerda.

1942 – A Livraria José Olympio Editora publica “Poesias”. O Editor José Olympio é o primeiro a se interessar pela obra do poeta.

1943 – Traduz e publica a obra Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac, sob o título de “Uma gota de veneno”.

1944 – Publica “Confissões de Minas”, por iniciativa de Álvaro Lins.

1945 – Publica “A Rosa do Povo” pela José Olympio e a novela “O Gerente”.  Colabora no suplemento literário do Correio da Manhã e na Folha Carioca. Deixa a chefia de gabinete de Capanema, sem nenhum atrito com este e, a convite de Luís Carlos Prestes, figura como editor do diário comunista, então fundado, Imprensa Popular, junto com Pedro Mota Lima, Álvaro Moreyra, Aydano Do Couto Ferraz e Dalcídio Jurandir. Meses depois se afasta do jornal por discordar da orientação do mesmo. É chamado por Rodrigo M.F. de Andrade para trabalhar na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, onde mais tarde se tornará chefe da Seção de História, na Divisão de Estudos e Tombamento.

1946 – Recebe o Prêmio pelo Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d’Oliveira. Sua filha Maria Julieta publica a novela “A Busca”, pela José Olympio.

1947 – É publicada sua tradução de “Les liaisons dangereuses”, de Choderlos De Laclos, sob o título de “As relações perigosas”.

1948 – Publica “Poesia até agora”. Colabora em Política e Letras, de Odylo Costa, filho. Falece Julieta Augusta Drummond de Andrade, sua mãe. Comparece ao enterro em Itabira que acontece ao mesmo tempo em que é executada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro a obra “Poema de Itabira” de Heitor Villa-Lobos, composta sobre seu poema “Viagem na Família”.

1949 – Volta a escrever no jornal Minas Gerais. Sua filha Maria Julieta casa-se com o escritor e advogado argentino Manuel Graña Etcheverry e passa a residir em Buenos Aires, onde desempenhará, ao longo de 34 anos, um importante trabalho de divulgação da cultura brasileira.

1950 – Vai a Buenos Aires para o nascimento de seu primeiro neto, Carlos Manuel.

1951 – Publica “Claro Enigma”, “Contos de Aprendiz” e “A mesa”. É publicado em Madrid o livro “Poemas”.

1952 – Publica “Passeios na Ilha” e “Viola de Bolso”.

1953 – Exonera-se do cargo de redator do Minas Gerais, ao ser estabilizada sua situação de funcionário da DPHAN. Vai a Buenos Aires para o nascimento de seu neto Luis Mauricio, a quem dedica o poema “A Luis Mauricio infante”. É publicado em Buenos Aires o livro “Dos Poemas”, com tradução de Manuel Graña Etcheverry, genro do poeta.

1954 – Publica “Fazendeiro do Ar & Poesia até agora”. Aparece sua tradução para “Les paysans”, de Balzac.  Realiza na Rádio Ministério de Educação, em diálogo com Lya Cavalcanti, a série de palestras “Quase memórias”. Inicia no Correio da Manhã a série de crônicas “Imagens”, mantida até 1969.

1955 – Publica “Viola de Bolso novamente encordoada”.

1956 – Publica “50 Poemas escolhidos pelo autor”. Aparece sua tradução para “Albertine disparue”, de Marcel Proust.

1957 – Publica “Fala, amendoeira” e “Ciclo”.

1958 – Publica-se em Buenos Aires uma seleção de seus poemas na coleção “Poetas del siglo veinte”. É encenada e publicada a sua tradução de “Doña Rosita la soltera” de Federico García Lorca, pela qual recebe o Prêmio Padre Ventura, do Círculo Independente de Críticos Teatrais.

1960 – Nasce seu terceiro neto, Pedro Augusto, em Buenos Aires.  A Biblioteca Nacional publica a sua tradução de “Oiseaux-Mouches orthorynques du Brèsil” de Descourtilz. Colabora em Mundo Ilustrado.

1961 – Colabora no programa Quadrante da Rádio Ministério da Educação, instituído por Murilo Miranda. Falece seu irmão Altivo.

1962 – Publica “Lição de coisas”, “Antologia Poética” e “A bolsa & a vida”. É demolida a casa da Rua Joaquim Nabuco 81, onde viveu 36 anos. Passa a morar em apartamento.  São publicadas suas traduções de “L’Oiseau bleu” de Maurice Maeterlink e de “Les fouberies de Scapin”, de Molière, esta última é encenada no Teatro Tablado do Rio de Janeiro. Recebe novamente o Prêmio Padre Ventura. Se aposenta como Chefe de Seção da DPHAN, após 35 anos de serviço público, recebendo carta de louvor do Ministro da Educação, Oliveira Brito.

1963 – É lançada sua tradução de “Sult” (Fome) de Knut Hamsun. Recebe os Prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, e Luísa Cláudio de Sousa, do PEN Clube do Brasil, pelo livro “Lição de coisas”. Colabora no programa Vozes da Cidade, instituído por Murilo Miranda, na Rádio Roquete Pinto, e inicia o programa Cadeira de Balanço, na Rádio Ministério da Educação. Viaja, com D. Dolores, a Buenos Aires durante as férias.

1964 – Publica a primeira edição da “Obra Completa”, pela Aguilar.

1965 – São lançados os livros “Antologia Poética”, em Portugal; “In the middle of the road”, nos Estados Unidos; “Poesie”, na Alemanha. Publica, em colaboração com Manuel Bandeira, “Rio de Janeiro em prosa & verso”. Colabora em Pulso.

1966 – Publica “Cadeira de balanço”, e na Suécia é lançado “Naten och rosen”.

1967 – Publica “Versiprosa”, “Mundo vasto mundo”, com tradução de Manuel Graña Etcheverry, em Buenos Aires e publicação de “Fyzika strachu” em Praga.

1968 – Publica “Boitempo & A falta que ama”. Membro correspondente da Hispanic Society of America, Estados Unidos.

1969 – Deixa o Correio da Manhã e começa a escrever para o Jornal do Brasil. Publica “Reunião (10 livros de poesia)”.

1970 – Publica “Caminhos de João Brandão”.

1971 – Publica “Seleta em prosa e verso”. Edição de “Poemas” em Cuba.

1972 – Viaja a Buenos Aires com D. Dolores para visitar a filha, Maria Julieta.  Publica “O poder ultrajovem”. Jornais do Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre publicam suplementos comemorativos do 70º aniversário do poeta.

1973 – Publica “As impurezas do branco”, “Menino Antigo – Boitempo II”, “La bolsa y la vida”, em Buenos Aires, e “Réunion”, em Paris.

1974 – Recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários. Membro honorário da American Association of Teachers of Spanish and Portuguese, Estados Unidos.

1975 – Publica “Amor, Amores”. Recebe o Prêmio Nacional Walmap de Literatura e recusa, por motivo de consciência, o Prêmio Brasília de Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal.

1977 – Publica “A visita”, “Discurso de primavera e algumas sombras” e “Os dias lindos”.  Grava 42 poemas em 2 long plays, lançados pela Polygram. Edição búlgara de “UYBETBO BA CHETA” (Sentimento do Mundo).

1978 – Publica “70 historinhas” e “O marginal Clorindo Gato”. Edições argentinas de “Amar-amargo” e “El poder ultrajoven”.

1979 – Publica “Poesia e Prosa”, 5ª edição, revista e atualizada, pela editora Nova Aguilar. Viaja a Buenos Aires por motivo de doença de sua filha Maria Julieta. Publica “Esquecer para lembrar – Boitempo III”.

1980 – Recebe os Prêmios Estácio de Sá, de jornalismo, e Morgado Mateus (Portugal), de poesia. Edição limitada de “A paixão medida”.  Noite de autógrafos na Livraria José Olympio Editora para o lançamento conjunto da edição comercial de “A paixão medida” e “Um buquê de Alcachofras”, de Maria Julieta Drummond de Andrade; o poeta e sua filha autografam juntos na Casa José Olympio. Edição de “En rost at folket”, Suécia. Edição de “The minus sign”, Estados Unidos. Edição de “Gedichten” Poemas, Holanda.

1981 – Publica “Contos Plausíveis” e “O pipoqueiro da esquina”. Edição inglesa de “The minus sign”.

1982 – Ano do 80º aniversário do poeta. São realizadas exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Os principais jornais do Brasil publicam suplementos comemorando a data. Recebe o título de Doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Edição mexicana de “Poemas”. A cidade do Rio de Janeiro festeja a data com cartazes de afeto ao poeta. Publica “A lição do amigo – Cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade”, com notas do destinatário.  Publicação de “Carmina drummondiana”, poemas de Drummond traduzidos ao latim por Silva Bélkior.

1983 – Declina do troféu Juca Pato. Publica “Nova Reunião (19 livros de poesia)”, último livro do poeta publicado, em vida, pela Casa José Olympio.

1984 – Despede-se da casa do velho amigo José Olympio e assina contrato com a Editora Record, que publica sua obra até hoje. Também se despede do Jornal do Brasil, depois de 64 anos de trabalho jornalístico, com a crônica “Ciao”. Publica, pela Editora Record, “Boca de Luar” e “Corpo”.

1985 – Publica “Amar se aprende amando”, “O observador no escritório” (memórias), “História de dois amores” (livro infantil) e “Amor, sinal estranho”. Edição de “Frän oxen tid”, Suécia.

1986 – Publica “Tempo, vida, poesia”. Edição de “Travelling in the family”, em New York, pela Random House. Escreve 21 poemas para a edição do centenário de Manuel Bandeira, preparada pela editora Alumbramento, com o título “Bandeira, a vida inteira”. Sofre um infarto e é internado durante 12 dias.

1987 – No 31 de janeiro escreve seu último poema, “Elegia a um tucano morto” que passa a integrar “Farewell”, último livro organizado pelo poeta. É homenageado pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira, com o samba enredo “No reino das palavras”, que vence o Carnaval 87. No dia 5 de agosto, depois de 2 meses de internação, falece sua filha Maria Julieta, vítima de câncer. “E assim vai-se indo a família Drummond de Andrade” – comenta o poeta. Seu estado de saúde piora. 12 dias depois falece o poeta, de problemas cardíacos e é enterrado no mesmo túmulo que a filha, no Cemitério São João Batista do Rio de Janeiro. O poeta deixa obras inéditas: “O avesso das coisas” (aforismos), “Moça deitada na grama”, “O amor natural” (poemas eróticos), “Viola de bolso III” (Poesia errante), hoje publicados pela Record; “Arte em exposição” (versos sobre obras de arte), “Farewell”, além de crônicas, dedicatórias em verso coletadas pelo autor, correspondência e um texto para um espetáculo musical, ainda sem título.  Edições de “Moça deitada na grama”, “O avesso das coisas” e reedição de “De notícias e não notícias faz-se a crônica” pela Editora Record. Edição de “Crônicas – 1930-1934”. Edição de “Un chiaro enigma” e “Sentimento del mondo”, Itália. Publicação de “Mundo Grande y otros poemas”, na série Los grandes poetas, em Buenos Aires.

1988 – Publicação de “Poesia Errante”, livro de poemas inéditos, pela Record.

1989 – Publicação de “Auto-retrato e outras crônicas”, edição organizada por Fernando Py. Publicação de “Drummond: frente e verso”, edição iconográfica, pela Alumbramento, e de “Álbum para Maria Julieta”, edição limitada e fac-similar de caderno com originais manuscritos de vários autores e artistas, compilados pelo poeta para sua filha. A Casa da Moeda homenageia o poeta emitindo uma nota de 50 cruzeiros com seu retrato, versos e uma auto-caricatura.

1990 – O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) organiza uma exposição comemorativa dos 60 anos da publicação de “Alguma Poesia”. Palestras de Manuel Graña Etcheverry, “El erotismo en la poesía de Drummond” no CCBB e de Affonso Romano de Sant’Anna, “Drummond, um gauche no mundo”. Encenação teatral de “Mundo, vasto mundo”, com Tônia Carrero, o coral Garganta e Paulo Autran, sob a direção deste no Teatro II do CCBB.  Encenação de “Crônica Viva”, com adaptação de João Brandão e Pedro Drummond, no CCBB. Edição da antologia “Itabira”, em Madrid, pela editora Visor. Edição limitada de “Arte em exposição”, pela Salamandra. Edição de “Poésie”, pela editora Gallimard, França.

1991 – Publicação de “Obra Poética”, pela editora Europa-América, em Portugal.

1992 – Edição de “O amor natural”, de poemas eróticos, organizada pelo autor, com ilustrações de Milton Dacosta e projeto gráfico de Alexandre Dacosta e Pedro Drummond. Publicação de “Tankar om ordet menneske”, Noruega. Edição de “Die liefde natuurlijk” (O amor natural) na Holanda.

1993 – Publicação de “O amor natural”, em Portugal, pela editora Europa-América. Prêmio Jabuti pelo melhor livro de poesia do ano, “O amor natural”.

1994 – Publicação pela Editora Record de novas edições de “Discurso de primavera” e “Contos plausíveis”. No dia 2 de julho falece D. Dolores Morais Drummond de Andrade, viúva do poeta, aos 94 anos.

1995 – Encenação teatral de “No meio do caminho…”, crônicas e poemas do poeta com roteiro e adaptação de João Brandão e Pedro Drummond. Lançamento de um selo postal em homenagem ao poeta.  Drummond na era digital, publicação de uma pequena antologia em 5 idiomas sob o título de “Alguma Poesia”, no World Wide Web , Internet, na data de seu 93º aniversário. Projeto do CD-ROM “CDA-ROM”, que visa a publicar, em ambiente interativo e com os recursos da multimídia, os 40 poemas recitados pelo autor, uma iconografia baseada na coleção de fotografias do poeta, entrevistas em vídeo e um curta-metragem.

1996 – Lançamento do livro Farwell, último organizado pelo poeta, no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro, com a apresentação de Joana Fomm e José Mayer. Esse livro é ganhador do Prêmio Jabuti.

1997 – Primeira edição interativa do livro “O Avesso das Coisas”.

1998 – Inauguração do Museu de Território Caminhos Dummondianos em Itabira. No dia 31 de outubro é inaugurado o Memorial Carlos Drummond de Andrade, projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, no Pico do Amor da cidade de Itabira. Prêmio in memorian Medalha do Sesquicentenário da Cidade de Itabira.

1999 – I Forum Itabira Século XXI — Centenário Drummond, realizado na cidade de Itabira. Lançamento do CD “Carlos Drummond de Andrade por Paulo Autran”, pelo selo Luz da Cidade.

2000 – Inaugurada a Biblioteca Carlos Drummond de Andrade do Colégio Arnaldo de Belo Horizonte. Lançamento do CD “Contos de aprendiz por Leonardo Vieira”, pelo selo Luz da Cidade. Estréia no dia 31 de outubro o espetáculo “Jovem Drummond”, estrelado por Vinícius de Oliveira, no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e Itabira (Secretaria de Cultura do Município). Lançamento do CD “História de dois amores – contadas por Odete Lara”, pela gravadora Luz da Cidade. Encenação pela Comédie Française da peça de Molière Les Fourberies de Scapin, com tradução do biografado, nos teatros Municipal do Rio de Janeiro e Municipal de São Paulo. Lançamento do projeto “O Fazendeiro do Ar”, com o “balão Drummond”, na Lagoa Rodrigo de Freitas – Rio de Janeiro. II Fórum Itabira Século XXI — Centenário Drummond, realizado em outubro na cidade de Itabira. Homenagem in memoriam Medalha comemorativa dos 70 anos do MEC. Homenagem dos Ex-Alunos da Universidade Federal de Minas Gerais.


BIBLIOGRAFIA

POESIA

Alguma poesia. Belo Horizonte: Edições Pindorama, 1930.

Brejo das almas. Belo Horizonte: Os Amigos do Livro, 1934.

Sentimento do mundo. R. de Janeiro: Pongetti, 1940; 10a ed., RJ: Record, 2000.

Poesias (Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, José). RJ: J.Olympio, 1942.

A rosa do povo. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1945.

Poesia até agora. (Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, José, A rosa do povo, Novos poemas). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1948.

A máquina do mundo (incluído em Claro enigma). Rio de Janeiro: Luís Martins, 1949 (exemplar único).

Claro enigma. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1951.

A mesa (incluído em Claro enigma). Niterói: Hipocampo, 1951 (70 exemplares).

Viola de bolso. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação do MEC, 1952.

Fazendeiro do ar & Poesia até agora. (Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, José, A rosa do povo, Novos poemas, Claro enigma, Fazendeiro do ar). R. de Janeiro: J. Olympio, 1954.

Viola de bolso (incluindo Viola de bolso novamente encordoada); 2ª. ed. aumentada, Os Cadernos de Cultura, R. de Janeiro: J. Olympio, 1955.

Soneto da buquinagem (incluído em Viola de bolso novamente encordoada). Rio de Janeiro: Philobiblion, 1955 (100 exemplares).

Ciclo (incluído em A vida passada a limpo e em Poemas). Recife: O Gráfico Amador, 1957. (96 exemplares).

Poemas (Alguma poesia, Brejo das Almas, Sentimento do mundo, José, A rosa do povo, Novos poemas, Claro enigma, Fazendeiro do ar, A vida passada a limpo). R. de Janeiro: J. Olympio, 1959.

Lição de coisas. R. de Janeiro: J. Olympio, 1964.

Obra completa. (Estudo crítico de Emanuel de Moraes, fortuna crítica, cronologia e bibliografia). R. de Janeiro: Aguilar, 1964 (publicada pela mesma editora sob o título Poesia completa e prosa (1973), e sob o título de Poesia e prosa (1979).

Versiprosa. R. de Janeiro: J. Olympio, 1967.

José & Outros (José, Novos poemas, Fazendeiro do ar, A vida passada a limpo, 4 Poemas, Viola de bolso II). R. de Janeiro: J. Olympio, 1967.

Boitempo & A falta que ama. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.

Nudez (incluído em Poemas). Recife: Escola de Artes, 1979 (50 exemplares).

Reunião (Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, José, A rosa do povo, Novos poemas, Clara enigma, Fazendeiro do ar, A vida passada a limpo, Lição de coisas, 4 Poemas). R. de Janeiro: J. Olympio, 1969.

D. Quixote (Glosas a 21 desenhos de Cândido Portinari). R. de Janeiro: Diagraphis, 1972.

As impurezas do branco. R. de Janeiro: J. Olympio, 1973.

Menino antigo (Boitempo II). R. de Janeiro: J. Olympio, 1973.

Minas e Drummond. (ilustrações de Yara Tupinambá, Wilde Lacerda, Haroldo Mattos, Júlio Espíndola, Jarbas Juarez, Álvaro Apocalypse e Beatriz Coelho). Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais,1973 (500 exemplares).

Amor, amores (desenhos de Carlos Leão). Rio de Janeiro: Alumbramento, 1975 (423 exemplares).

A visita (incluído em A paixão medida) (fotos de Maureen Bisilliat). São Paulo: edição particular, 1977 (125 exemplares).

Discurso de primavera e algumas sombras. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1977.

O marginal Clorindo Gato (incluído em A paixão medida). R. de Janeiro: Avenir, 1978.

Nudez (incluído em Poemas). Recife: Escola de artes, 1979 (50 exemplares).

Esquecer para lembrar (Boitempo III). R. de Janeiro: J. Olympio, 1979.

A paixão medida (desenhos de Emeria Marcier). R. de Janeiro: Alumbramento, 1980. (643 exemplares).

Nova Reunião – 19 livros de poesias. R. de Janeiro: J. Olympio, 1983

O elefante (Ilustrações de Regina Vater). R. de Janeiro: Record. Coleção Abre-te Sésamo, 1983.

Caso do vestido. R. de Janeiro: Rioarte, 1983 (adaptado para o teatro por Aderbal Júnior).

Corpo (Ilustrações de Carlos Leão). R. de Janeiro: Record, 1984.

Mata Atlântica (fotos de Luiz Cláudio Marigo, texto de Alceo Magnani). R. de Janeiro: Chase Banco Lar/AC&M, 1984.

Amor, sinal estranho (litografias originais de Bianco). R. de Janeiro: Lithos Edições de Arte, 1985 (100 exemplares).

Amar se aprende amando. R. de Janeiro: Record, 1985.

Pantanal (fotos de Luiz Cláudio Marigo, texto de Alceo Magnani). R. de Janeiro: Chase Banco Lar/AC&M, 1985.

Boitempo I e II (Reunião de poemas publicados anteriormente nos livros Boitempo, Menino antigo e Esquecer para lembrar). R. de Janeiro: Record, 1986.

O prazer das imagens (fotografias de Hugo Rodrigo Octavio – legendas inéditas de Carlos Drummond de Andrade). São Paulo: Metal Leve/Hamburg, 1987 (500 exemplares).

Poesia Errante: derrames líricos, e outros nem tanto ou nada. R. de Janeiro: Record, 1988.

Arte em Exposição. R. de Janeiro: Salamandra/Record, 1990.

O Amor Natural. (Ilustrações Milton Dacosta). R. de Janeiro: Record, 1992.

A Vida Passada a Limpo. R. de Janeiro: Record, 1994.

Rio de Janeiro (fotos de Michael Sonnenberg). Liechtenstein: Verlag Kunt und Kultur, 1994.

Farewell. R. de Janeiro: Record, 1996.

A Senha do Mundo. R. de Janeiro: Record, 1996; (reeditado em 1998, pela Record, com o título de Verso na Prosa, Prosa no Verso).

A Cor de Cada um. R. de Janeiro: Record, 1996; (reeditado em 1998, pela Record, com o título de Verso na Prosa, Prosa no Verso).

José & Outros. Rio de Janeiro: Record, 2003; (reunião dos livros José, Novos Poemas Fazendeiro do ar).


CRÔNICA 

Fala, amendoeira. R. de Janeiro: J. Olympio, 1957.

A bolsa & a vida. R. de Janeiro: Editora do Autor, 1962.

Cadeira de balanço. R. de Janeiro: J. Olympio, 1966.

Caminhos de João Brandão. R. de Janeiro: J. Olympio, 1970.

O poder ultrajovem. R. de Janeiro: J. Olympio, 1972.

De notícias & não notícias faz-se a crônica. R. de Janeiro: J. Olympio, 1974.

Os dias lindos. R. de Janeiro: J. Olympio, 1977.

Crônica das favelas cariocas. R. de Janeiro: edição particular, 1981.

Boca de luar. R. de Janeiro: Record, 1984.

Crônicas de 1930/1934 (Crônicas assinadas com os pseudônimos: Antônio Crispim e Barba Azul). Belo Horizonte: Revista do Arquivo Público Mineiro, 1984. [Reeditado em 1987 pela Secretaria da Cultura de Minas Gerais – ilustrações de Ana Raquel.]

Moça deitada na grama. R. de Janeiro: Record, 1987.

Auto-Retrato e Outras Crônicas. Seleção Fernando Py. R. de Janeiro: Record, 1989.

O Sorvete e Outras Histórias. São Paulo: Ática, 1993.

Vó Caiu na Piscina. R. de Janeiro: Record, 1996.

Quando é dia de futebol. Rio de Janeiro: Record, 2002.


CONTO

O gerente (incluído em Contos de aprendiz). R. de Janeiro: Horizonte, 1945.

Contos de aprendiz. R. de Janeiro: J. Olympio, 1951.

70 historinhas. R. de Janeiro: J. Olympio, 1978. (Seleção de textos dos livros de crônicas: Fala amendoeira, A bolsa & a vida, Cadeira de balanço, Caminhos de João Brandão, O poder ultrajovem, De notícias & não notícias faz-se a crônica e Os dias lindos.)

Contos plausíveis (ilustrações de Irene Peixoto e Márcia Cabral). R. de Janeiro: J. Olympio/Editora JB, 1981.

O pipoqueiro da esquina (Desenhos de Ziraldo). R. de Janeiro: Codecri, 1981.

História de dois amores (Desenhos de Ziraldo). R. de Janeiro: Record, 1985.

Criança dagora é fogo. R. de Janeiro: Record, 1996.


ENSAIO

Confissões de Minas. R. de Janeiro: Americ-Edit., 1944.

Passeios na ilha. R. de Janeiro: Simões,1952.

Minas Gerais (Antologia). R. de Janeiro: Editora do Autor, 1967. Coleção Brasil, Terra & Alma.

A Lição do amigo (cartas de Mário de Andrade – introdução e notas de CDA). R. de Janeiro: J. Olympio, 1982.

Em certa casa da rua Barão de Jaguaribe (ata comemorativa dos 20 anos do Sabadoyle). R. de Janeiro: Biblioteca Plínio Doyle, 1984.

O observador no escritório (Memória). R. de Janeiro: Record, 1985.

Tempo, vida, poesia (entrevistas à Rádio MEC). R. de Janeiro: Record, 1986.

Saudação a Plínio Doyle. R. de Janeiro: Biblioteca Plínio Doyle, 1986.

O avesso das coisas (Aforismos – ilustrações de ]immy Scott). R. de Janeiro: Record, 1987.

ANTOLOGIA

Português

Neste caderno… In: 10 Histórias de bichos (em colaboração com Godofredo Rangel, Graciliano Ramos, João Alphonsus, Guimarães Rosa, J. Simões Lopes Neto, Luís Jardim, Maria Julieta,Marques Rebelo, Orígenes Lessa, Tristão da Cunha). R. de Janeiro: Condé, 1947 (220 exemplares).

50 poemas escolhidos pelo autor. R. de Janeiro: Serviço de Documentação do MEC, 1956.

Antologia poética. R. de Janeiro: Editora do Autor, 1962.

Quadrante (em colaboração com Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga). R. de Janeiro: Editora do Autor, 1962.

Quadrante II (em colaboração com Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga). R. de Janeiro: Editora do Autor, 1963.

Antologia poética (seleção e prefácio de Massaud Moisés). Lisboa: Portugália, 1965. Coleção Poetas de Hoje.

Vozes da cidade (em colaboração com Cecília Meireles, Genolino Amado, Henrique Pongetti, Maluh de Ouro Preto, Manuel Bandeira e Raquel de Queirós). R. de Janeiro: Record, 1965.

Rio de Janeiro em prosa & verso (antologia em colaboração com Manuel Bandeira). R. de Janeiro: J. Olympio, 1965. Coleção Rio 4 Séculos.

Uma pedra no meio do caminho (biografia de um poema). Apresentação de Arnaldo Saraiva). R. de Janeiro: Editora do Autor, 1967.

Seleta em prosa e verso (estudo e notas de Gilberto Mendonça Teles). R. de Janeiro: J. Olympio, 1971.

Elenco de cronistas modernos (em colaboração com Clarice Lispector, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Raquel de Queirós e Rubem Braga). R. de Janeiro: Sabiá, 1971.

Atas poemas. Natal na Biblioteca de Plínio Doyle (em colaboração com Alphonsus de Guimaraens Filho, Enrique de Resende, Gilberto Mendonça Teles, Homero Homem, Mário da Silva Brito, Murilo Araújo, Raul Bopp, Waldemar Lopes). R. de Janeiro, Sabadoyle, 1974.

Para gostar de ler (em colaboração com Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga). São Paulo: Ática, 1977-80.

Para Ana Cecília (em colaboração com João Cabral de Melo Neto, Mauro Mota, Odilo Costa Filho, Ledo lvo, Marcus Accioly e Gilberto Freire). Recife: Edição Particular, 1978.

O melhor da poesia brasileira (em colaboração com João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Vinícius de Moraes). R. de Janeiro: J. Olympio, 1979.

Carlos Drummond de Andrade. Seleção de textos, notas, estudo biográfico, histórico-crítico e exercícios de Rita de Cássia Barbosa. São Paulo: Abril, 1980.

Literatura comentada. São Paulo: Abril, 1981.

Antologia poética. São Paulo: Abril Cultural, 1982.

Quatro vozes (em colaboração com Rachel de Queiroz, Cecília Meirelles e Manuel Bandeira). R. de Janeiro: Record, 1984.

60 anos de poesia. (organização e apresentação de Arnaldo Saraiva). Lisboa: O Jornal, 1985.

Quarenta historinhas e cinco poemas (leitura e exercícios para estudantes de Português nos EUA). Flórida: University of Florida, 1985.

Bandeira – A vida inteira (textos extraídos da obra de Manuel Bandeira e 21 poemas de Carlos Drummond de Andrade – fotos do Arquivo – Museu de Literatura da Fundação Casa Rui Barbosa). R. de Janeiro: Alumbramento/Livroarte, 1986.

Álbum para Maria Julieta. Coletânea de dedicatórias reunidas por Carlos Drummond de Andrade para sua filha, acompanhado de texto extraído da obra do autor. R. de Janeiro: Alumbramento / Livroarte, 1989.

Obra poética. Portugal: Publicações Europa-América, 1989. Rua da Bahia (em colaboração com Pedro Nava). Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 1990.

Setecontos, setencantos (em colaboração com Caio Porfírio Carneiro, Herberto Sales, Ideu Brandão, Miguel Jorge, Moacyr Scliar e Sergio Faraco – organizado por Elias José). São Paulo: FTD.

Carlos Drummond de Andrade (org. de Fernando Py e Pedro Lyra). R. de Janeiro: Agir,1994.

As palavras que ninguém diz. (Seleção Luzia de Maria). R. de Janeiro: Record, 1997, (Mineiramente Drummond).

Histórias para o Rei. (Seleção Luzia de Maria). R. de Janeiro: Record, 1997 (Mineiramente Drummond).

A palavra mágica. (Seleção Luzia de Maria). R. de Janeiro: Record, 1997 (Mineiramente Drummond).

Os amáveis assaltantes. R. de Janeiro: Agora Comunicação Integrada, 1998.

EM OUTRAS LÍNGUAS

Alemão

Poesie (tradução de Curt Meyer-Clason). Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1965.

Gedichte (tradução de Curt Meyer-Clason). Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1982.

Búlgaro

lybctbo ba cbeta (tradução de Alexandre Muratov e Atanas Daltchev). Sófia: Narodna Cultura, 1977.

Chinês

Antologia da poesia brasileira (seleção de Antônio Carlos Secchin e tradução de Zhao Deming). Pequim: Embaixada do Brasil, 1994.

Dinamarquês

Verdensfornemmelse og Andre Digte (Tradução de Peter Poulsen). Copenhague: Borgens Forlag, 2000.

Espanhol

Poemas (seleção, versão e introdução de Rafael Santos Torroella). Madri: Ediciones Rialp, 1951. Colección Adonai.

Dos poemas (traduzidos por Manuel Grana Etcheverry). Buenos Aires: Ediciones Botella al Mar, 1953.

Poetas del siglo veinte. Carlos Drummond de Andrade (seleção e versão de Ramiro de Casasbellas). Buenos Aires: Ediciones Poesia, 1957.

Poesía de Carlos Drurnmond de Andrade (tradução de Armando Uribe Arce, Thiago de Mello e Fernando de Alencar). Santiago do Chile: Cadernos Brasileiros: Série Poesia, 1963.

Seis Poetas Contemporáneos del Brasil (tradução Manuel Grana Etcheverry). La Paz: Embajada del Brasil, 1966 (Cuadernos Brasilenos).

Mundo, vasto mundo (Tradução de Manuel Grana Etcheverry). Buenos Aires: Editorial Losada, 1967. Colección Poetas de Ayer y de Hoy.

Poemas (introdução, seleção e notas de Munoz-Unsain). Havana: Casa de las Americas, 1970.

La bolsa y la vida (tradução de Maria Rosa Oliver). Buenos Aires: Ediciones de la Flor, 1973.

Poemas (tradução de Leonidas Cevallos). Lima: Centro de Estudios Brasilenos, 1976. Drummond de Andrade (tradução Gabriel Rodriguez). Caracas: Dirección General de Cultura de la Gobernación del Distrito Fedreal, 1976.

Amar-amargo y otros poemas (tradução de Estela dos Santos). Buenos Aires: Calicanto, 1978.

El poder ultrajovem (tradução de Estela dos Santos). Buenos Aires: Editorial Sudamericana,1978.

Dos cuentos y dos poemas binacionales (em colaboração com Sergio Faraco e Jorge Medoza Enriguez). Santiago do Chile: Instituto Chileno-Brasileño de Cultura de Concepción, 1981.

Poemas (tradução, seleção e introdução de Francisco Cervantes). México: Premià, 1982.

Don Quijote (tradução de Edmund Font – gravuras de Portinari). México: Secretaría de Educación Pública, 1985 (3.000 exemplares).

Antología Poética (tradução, introdução, cronologia e bibliografia de Cláudio Murilo). Madri: Instituto de Cooperación Ibero-americana/Ediciones Cultura Hispánica, 1986.

Poemas (tradução Renato Sandoval). Lima: Embajada del Brasil, 1989 (Tierra Brasilena).

Itabira (Antología) (tradução Pablo del Barco). Madri: Visor,1990.

Historia de dos poemas (tradução Gloria Elena Bernal). México: SEP, 1992.

Carlos Drummond de Andrade. México: Fondo Nacional para Actividades Sociales, s. d. (Poesia Moderna).

Francês

Réunion. (Tradução de Jean-Michel Massa). Paris: Aubier-Montaigne, 1973.

Fleur, téléphone et jeune fille… (antologia organizada por Mário Carelli). Paris: L’Alphée, 1980.

Drummond: une esquisse. R. de Janeiro: Alumbramento / Livroarte, 1981.

Conversation extraordinaire avec une dame de ma connaissance et autres nouvelles. (Tradução de Mario Carelli e outros). Paris: A. M. Métailié, 1985.

Mon éléphant. (Tradução de Vivete Desbans. Ilustrações de Hélène Vicent). Paris: Éditions ILM, 1987. Collection bilingue.

Poésie (tradução Didier Lamaison). Paris: Gallimard, 1990.

Holandês

Gedichten (tradução de August Willensem). Amsterdam: Uitgeverij de Arbeiderspers,1980.

20 gedichten van Carlos Drummond de Andrade (tradução de August Willensen – Fotos de Sérgio Zalis). Amsterdam: Riksakademie van beeldende Kunsten, 1983.

De liefde, natuurlijk: gedichten (tradução August Willemsen). Amsterdam: Uitgeverij de Arbeiderspers,1992.

Farewell (tradução August Wil)emsen). Amsterdam: Uitgeverij de Arbeiderspers, 1996.

Inglês

In the middle of the road (tradução de John Nist). Tucson: University of Arizona Press, 1965.

Souvenir of the ancient world (tradução de Mark Strand). New York: Antaeu, 1976.

Poems (tradução de Virgínia de Araújo). Palo Alto: WPA, 1977.

The minus sign (tradução de Virgínia de Araújo). Redding Ridge: Black Scvan Books, 1980.

The minus sign (tradução de Virgínia de Araújo). Manchester: Carcanet New Press, 1981.

Travelling in the family (selected poems) (tradução de Elizabeth Bishop e Gregory Rabassa). Nova York: Random House; Toronto: Random House of Canada, 1986.

Italiano

Sentimento del Mondo (Tradução Antonio Tabucchi). Torino: Giulio Einaudi, 1987 (Poesia).

Un Chiaro Enigma (tradução Fernanda Toriello). Bari: Stampa Puglia, 1990.

La Visita (tradução Luciana Stegagno Picchio). Milão: Libri Scheiwiller, 1996.

Racconti Plausibili (tradução Alessandra Ravatti). Roma: Fahrenheit, 1996.

L’ Armore Naturale (tradução Fernanda Toriello). Bari: Adriatica, 1997.

Latim

Carmina drummondiana. (Tradução de Silva Bélkior). R. de Janeiro: Salamandra, 1982.


Norueguês

Tankar om Ordet Menneske. (Tradução Alf Saltveit). Oslo: Solum, 1992.

Sueco

Natten och rosen (Tradução de Arne Lundgren). Estocolmo: Norstedt & Söners, 1966.

En ros at folket. (Tradução de Arne Lundgren). Estocolmo: P.A. Norstedt & Söners, 1980.

Fran oxens tid. (Tradução de Arne Lundgren). Estocolmo: P.A. Norstedt & Söners, 1985.

Tvarsnitt. (Tradução Arne Lundgren). Estocolmo: Nordan, 1987.

Ljuset Spranger Natten. (Tradução Arne Lundgren). Lysekil: F. Forlag, 1990.

Tcheco

Fyzika strachu. (Tradução de Vladimir Mikes). Praga: Odeon, 1967.


TRADUÇÕES

Uma gota de veneno (Thérèse Desqueyroux), de François Mauriac. R. de Janeiro: Pongetti, 1943.

As relações perigosas (Les Liaisons dangereux), de Choderlos de Laclos. Porto Alegre: Globo,1947.

Os camponeses (Les Paysans), de Honoré de Balzac. In: A comédia humana. Porto Alegre: Globo, 1954.

A fugitiva (Albertine disparue), de Marcel Proust. Porto Alegre: Globo, 1956.

Dona Rosita, a solteira ou a linguagem das flores (Dona Rosita la soltera o el lenguaje de lãs flores), de Federico García Lorca. R. de Janeiro: Agir, 1959.

Beija-Flores do Brasil (Oiseaux-mouches Orthorynques du Brésil), de Th. Descourtilz. R. de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1960.

O pássaro azul (L’Oiseau bleu), de Maurice Maeterlinck. Rio de Janeiro: Delta, 1962.

Artimanhas de Scapino (Les Fourberies de Scapin), de Molière. R. de Janeiro: Serviço de Documentação do MEC, 1962.

Fome (Sult), de Knut Hamsun. R. de Janeiro: Delta,1963.


LIVROS EM BRAILE:

Boca de luar. São Paulo: Fundação para o Livro do Cego no Brasil, 1985.

Corpo. São Paulo: Fundação para o Livro do Cego no Brasil, 1990.

Sentimento do mundo. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, 2000.


SOBRE O AUTOR:

Esfinge Clara – Garcia, Othon Moacyr (1955) – RJ.

Palavra puxa palavra em C. D. de Andrade – Garcia, Othon Moacyr (1955), RJ.

A rima na poesia de C. D. Andrade – Martins, Hélcio (1968) – RJ.

Drummond: a estilística da repetição – Teles, Gilberto M. (1970) – RJ.

Drummond rima Itabira mundo – Moraes, Emanuel de (1971) – RJ.

Terra e família na poesia de C. D. Andrade – Coelho, Joaquim-Francisco (1973) – RJ

Verso universo de Drummond – Merquior, José Guilherme (1975) – RJ.

Drummond de Andrade – Santiago, Silviano (1976) – Petrópolis.

A dramaticidade na poesia de Drummond – Schüler, Donald (1979); Porto Alegre.

Drummond: Análise da Obra – Sant’Anna, Affonso Romano de (1980); RJ.

Ó de Itabira (poema) – Accioly, Marcus (1980) – RJ.

Bibliografia comentada de Carlos Drummond de Andrade (1918-1930). Py, Fernando (1981) – RJ.

El erotismo en la poesía de Carlos Drummond de Andrade – Etcheverry, Manuel Graña (1990) – Buenos Aires.

(entre outros).

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© Projeto Releituras — Todos os direitos reservados. O Projeto Releituras — um sítio sem fins lucrativos — tem como
objetivo divulgar trabalhos de escritores nacionais e estrangeiros, buscando, sempre que possível, seu lado humorístico,
satírico ou irônico. Aguardamos dos amigos leitores críticas, comentários e sugestões.
A todos, muito obrigado. Arnaldo Nogueira Júnior. ® @njo

LEVANTADOS DO CHÃO

Como então? Desgarrados da terra?
Como assim? Levantados do chão?
Como embaixo dos pés uma terra
Como água escorrendo da mão?

Como em sonho correr numa estrada?
Deslizando no mesmo lugar?
Como em sonho perder a passada
E no oco da Terra tombar?

Como então? Desgarrados da terra?
Como assim? Levantados do chão?
Ou na planta dos pés uma terra
Como água na palma da mão?

Habitar uma lama sem fundo?
Como em cama de pó se deitar?
Num balanço de rede sem rede
Ver o mundo de pernas pro ar?

Como assim? Levitante colono?
Pasto aéreo? Celeste curral?
Um rebanho nas nuvens? Mas como?
Boi alado? Alazão sideral?

Que esquisita lavoura! Mas como?
Um arado no espaço? Será?
Choverá que laranja? Que pomo?
Gomo? Sumo? Granizo? Maná?

 

Nota sobre Levantados do chão
Por Adélia Bezerra de Meneses

 Letra 

As armas da ironia
Canção de Chico Buarque comenta desenraizamento dos sem-terra
ADÉLIA BEZERRA DE MENESES
especial para a Folha
”Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira.”
José Saramago no livro ”Levantado do Chão

Também do chão pode levantar-se uma canção, eu diria, parodiando Saramago, uma canção que diga da falta de chão, da falta de terra para quem dela viveria, da sua carência, o oco e do desarrazoado que isso representa. É esse o assunto de ”Levantados do chão”, a mais recente canção de Chico Buarque, tematizando os ”sem-terra”, constante do CD que acompanha o livro de fotografias de Sebastião Salgado, ”Terra”, lançado pela Companhia das Letras no dia 17 de abril, às vésperas do aniversário do massacre em Eldorado dos Carajás: também do chão pode levantar-se uma bandeira.
Estruturada formalmente por interrogações reiteradas, que expressam velada indignação e recusa, a letra dessa canção coloca, em sua radicalidade, a questão do desarraigamento, do desenraizamento, do ”desassentamento” e do seu absurdo. Há que se meditar sobre o valor afetivo de uma entonação interrogativa. Perguntar é estranhar, recusar, impugnar: questionar. É não aceitar algo como um dado de fato.
O estranhamento sustentado se decompõe em perguntas – calmas invectivas – que vão do acúmulo de advérbios interrogativos (”Como então?”, ”Como assim?”, ”Mas como?”), passando pela aposição de frases nominais interrogativas (”Desgarrados da terra?”, ”Levantados do chão?”) à seqüência final de termos isolados que, escandidos pelo sinal de interrogação, apontam para o seu avesso: ”Gomo? Sumo? Granizo? Maná?” No entanto, se o tom é quase meditativo (”Como embaixo dos pés uma terra/ Como água escorrendo da mão”), a emoção não é menos contida, engendrando frases escandidas, curtas, numa gradação de compassada ironia.
Num único caso – ”Que esquisita lavoura!’ – se sobrepõe à interrogação a exclamação, apontando para sua origem comum: ”ironia”. Com efeito, é essa a figura de estilo dominante nesta canção. E sabemos o quanto a ironia é linguagem de denúncia e de não-adesão, é linguagem de resistência. ”Ironia”: do grego ”eironein” = ação de interrogar, fingindo ignorância, ou que diz menos do que aquilo que se pensa. Forma privilegiada do exercício da crítica social, no avesso da duplicação das ideologias dominantes, a ironia é arma de combate. Nessa ”ação de interrogar, fingindo ignorância” se chega, inevitavelmente, ao cômico de algumas imagens, concentradas sobretudo nas duas últimas estrofes: ”boi alado”, ”levitante colono”, ”celeste curral”, ”rebanho nas nuvens” etc.
Da mesma maneira que os ”sem-terra” são seres humanos definidos pela negativa, nomeados por aquilo de que carecem fundamentalmente, nesta canção a terra e/ou o chão, quando comparecem, estão sempre acoplados a algo que os nega: ”desgarrados” da terra, ”levantados” do chão, terra ”como água escorrendo”, ”oco” da terra, lama ”sem fundo”. O termo, presente nominalmente, é desvirtuado: o que sobressai é a privação.
Penso nos filósofos pré-socráticos, em sua classificação dos elementos primordiais do universo: terra, água, ar e fogo. Pois bem, nesse texto sobre a falta da TERRA, as demais matérias fundamentais vão, perturbadamente, assumir o seu lugar, substituindo-a. É assim que, por volta da metade da canção, as imagens falarão de ÁGUA em vez de terra (”como água escorrendo da mão”, ”como água na palma da mão”); mas, depois de uma transição em que a água se mistura à terra (”lama sem fundo”), passa-se ao ”ar”.
A partir da quarta estrofe, instaura-se esse elemento, também inicialmente misturado à terra faltante, em forma de ”pó”: ”Como em cama de pó se deitar” (verso 14). A falta de apoio, de concretude, de solidez, de fundamento – que só a terra, a mais concreta e a única sólida dentre as matérias fundamentais, poderia propiciar – regerá a orquestração das imagens, até o fim. É importante observar que já antes o ”ar” estava presente, por meio da alusão à queda ”no oco da terra” (verso 8). Mas será sobretudo a partir do verso 15 que, à falta da terra, o ”ar” se imporá como imagética fundamental (1). E aí se desdobrarão as metáforas que traduzem a carência aguda, absoluta, de qualquer fundamento sólido: ”Num balanço de rede sem rede/ Ver o mundo de pernas pro ar”.
A imagem é rica e condensada: não só porque diz da ausência de apoio, mas porque, num outro plano, alude à falta de ”fundamento ético” para a situação, configurando um mundo ”de pernas pro ar”, mundo às avessas, dolorosamente anômalo, aético, injusto. E, a partir daí, se desatará a ironia: ”Como assim? Levitante colono?/ Pasto aéreo? Celeste curral?/ Um rebanho nas nuvens? Mas como?/ Boi alado? Alazão sideral?” (2).
Anomalia, desacerto, desconcerto. O homem do campo não tem terra. O desajuste da sociedade se revela no nível da linguagem, contamina as palavras, leva à incongruência das imagens, que remetem ao absurdo. O desenraizamento fere fundo: ”Que esquisita lavoura! Mas como?/ Um arado no espaço? Será?/ Choverá que laranja? Que pomo?/ Gomo? Sumo? Granizo? Maná?”.
Com ”maná” – alusão ao alimento caído dos céus, e não brotando da terra, fruto do trabalho do homem – a inversão irônica está completa.
Falei que essa canção que tematiza a terra, ou melhor, a sua falta, opera com os elementos primordiais do universo, as matérias fundamentais: a terra, presente mesmo por sua ausência; a água e o ar, que perversamente ocupam o seu lugar. E o fogo? Saindo do universo dos filósofos físicos e caindo na realidade dura e crua dos conflitos de terra, do massacre em Eldorado dos Carajás, dos conflitos no Pontal do Paranapanema, da UDR, dos grileiros e ruralistas, das ameaças que pairam sinistras, da Marcha dos Sem-Terra e do susto suspenso com que a cada dia abrimos os jornais, o fogo, num trocadilho de mau gosto, mas dolorosamente na linha dum horizonte possível e temido, bem, o FOGO é o risco.
Finalmente, algo que ficou faltando, nessa análise da letra de ”Levantados do chão”. Refiro-me às duas referências oníricas da segunda estrofe, falando de esforço baldado e impotência – e que remetem a sonhos de angústia, ou melhor, ao pesadelo no qual não se consegue avançar, ou em que se cai, num tombo abissal: ”Como em sonho correr numa estrada/ Deslizando no mesmo lugar/ Como em sonho perder a passada/ E no oco da terra tombar”.
A geração que tinha por volta de 20 anos na década de 60, quando empunhava com paixão e veemência a bandeira da ”reforma agrária”, identifica-se sobremaneira com esse pesadelo de paralisia e impotência. Será que também na geração dos nossos filhos o Brasil vai ”perder a passada”?
Notas:
1. É evidente que aludo aqui a Gaston Bachelard e a seus estudos sobre a imaginação poética, regida pelos quatro elementos fundamentais.
2. Importa observar que esse topos do ar substituindo a terra, quando se trata de propriedades rurais, tem uma tradição na literatura brasileira que remonta a Carlos Drummond de Andrade. Indagado sobre de onde vem o título ”Fazendeiro do ar” de um de seus livros, eis a resposta que ele dá: ”Os meus antepassados, inclusive meu bisavô, meu avô e meu pai, foram todos fazendeiros em Minas: quando chegou a minha vez, a fazenda havia acabado. Assim, sem terra, considero-me fazendeiro do ar… daí o título.” (“Fortuna crítica de Carlos Drummond de Andrade“, Civilização Brasileira, 2ª ed., 1978)”.

Adélia Bezerra de Meneses é professora de teoria literária e literatura comparada na USP e autora, entre outros, de ”Desenho mágico – poesia e política em Chico Buarque” (Hucitec) e ”Do poder da palavra – ensaios de literatura e psicanálise” (Duas Cidades).

Fonte: Adélia Bezerra de Meneses, Folha de São Paulo
Link: http://www.chicobuarque.com.br/letras/notas/n_levantad.htm

JOSÉ SARAMAGO – UNIVERSAL

SARAMAGO

JOSÉ SARAMAGO

BIOGRAFIA

Filho e neto de camponeses, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro de 1922, se bem que o registo oficial mencione como data de nascimento o dia 18. Os seus pais emigraram para Lisboa quando ele não havia ainda completado dois anos. A maior parte da sua vida decorreu, portanto, na capital, embora até aos primeiros anos da idade adulta fossem numerosas, e por vezes prolongadas, as suas estadas na aldeia natal.

Fez estudos secundários (liceais e técnicos) que, por dificuldades econômicas, não pôde prosseguir. O seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico, tendo exercido depois diversas profissões: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, tradutor, editor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance,  Terra do Pecado, em 1947, tendo estado depois largo tempo sem publicar (até 1966). Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na revista  Seara Nova. Em 1972 e 1973 fez parte da redação do jornal Diário de Lisboa, onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante cerca de um ano, o suplemento cultural daquele vespertino.

Pertenceu à primeira Direção da Associação Portuguesa de Escritores e foi, de 1985 a 1994, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi diretor-adjunto do jornal  Diário de Notícias. A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor. Casou com Pilar del Río em 1988 e em Fevereiro de 1993 decidiu repartir o seu tempo entre a sua residência habitual em Lisboa e a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha). Em 1998 foi-lhe atribuído o Prêmio Nobel de Literatura.

José Saramago faleceu a 18 de Junho de 2010.

CURIOSIDADES BIBLIOGRÁFICAS

Conheça a vida e a obra do escritor José Saramago

Maria Carolina Maia
Saramago se tornou um dos principais nomes da literatura de língua portuguesaSaramago se tornou um dos principais nomes da literatura de língua portuguesa (AFP)

José de Sousa Saramago nasceu numa família de camponeses da Aldeia de Azinhaga, ao sul de Portugal, em 1922. Seus pais eram analfabetos. Sua origem influenciou o modo de escrever, caracterizado pela liberdade no uso da pontuação. “Meu estilo começou em 1979, quando eu estava escrevendo Levantado do Chão. O mundo que eu descrevia era o Portugal rural, durante os primeiros dois terços do século passado – um mundo no qual a cultura de contar histórias predominava, e eram passadas de geração a geração, sem que se usasse a palavra escrita”, disse o escritor ao jornalista australiano Ben Naparstek, lembrando que, quando se fala, não se usa pontuação. A entrevista foi incluída no livro Encontros com 40 Grandes Autores.

Com um estilo próprio, Saramago conquistou em 1983 o Prêmio Camões, a mais importante distinção dada a um escritor em língua portuguesa – recebida neste ano pelo poeta Ferreira Gullar – e, em 1998, o Prêmio Nobel de Literatura.

Levantado do Chão é um dos livros que mais falam de Saramago. Ao mostrar a luta do povo contra a opressão dos latifundiários e das autoridades oficiais e clericais, o romance faz ecoar a opção política do escritor, que se dizia socialista até o fim da vida. Considerado hoje o seu primeiro grande romance, Levantado do Chão também merece destaque por ter dado notoriedade a Saramago, que por ele recebeu o Prêmio Cidade de Lisboa, em 1980, e o Prêmio Internacional Ennio Flaiano em 1982.

Sua atividade como escritor, no entanto, havia começado muito antes, em 1947, com o livroTerra do Pecado. Após um hiato de 19 anos, lança, em 1966, Os Poemas Possíveis, seu primeiro livro de poesia. Três anos depois, se tornaria membro do Partido Comunista Português. Atuando como crítico literário e jornalista, em 1975, chegaria à direção-adjunta do Diário de Notícias. Mas, já no ano seguinte, fugindo à opressão do Salazarismo, regime totalitário que dominava Portugal, passaria a viver de literatura. Num primeiro momento, como tradutor. Em seguida, como autor.

Depois de Levantado do Chão, chamaria a atenção com os romances O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986) e O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), cuja inspiração lhe veio de um golpe de vista. Andando pela rua, o escritor acreditou ter lido, na manchete de um jornal, aquele que viria a ser o título da obra, e a partir daí nasceu a ideia de contar o Novo Testamento pela visão de Jesus Cristo, e não mais de um de seus apóstolos.

Foi por este livro que Saramago deixou Portugal, no início da década de 1992. A inscrição de O Evangelho Segundo Jesus Cristo para o Prêmio Literário Europeu, em 1992, foi vetada pela Secretaria de Cultura portuguesa. As vendas dispararam, mas, aborrecido, o escritor mudou-se para Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Sobre Levantado do Chão, outra curiosidade: o título foi tomado de empréstimo pelo compositor Chico Buarque, que participou juntamente com Saramago e o fotógrafo Sebastião Salgado de um projeto relacionado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). “Como então? Desgarrados da terra? Como assim? Levantados do Chão?”, diz a letra da cançãoLevantados do Chão.

O Ensaio Sobre a Cegueira (1995) é outro destaque da obra de Saramago. O livro foi adaptado para o cinema em 2008 pelo brasileiro Fernando Meirelles, segundo quem Saramago não gostava de falar de literatura. Para ele, haveria assuntos mais importantes a discutir. Casado com a jornalista espanhola Pilar del Rio, Saramago deixa uma filha e dois netos do primeiro casamento.

Algumas das principais obras de Saramago:

Levantado do Chão (1980)
Memorial do Convento (1982)
O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984)
História do Cerco de Lisboa (1989)
O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991)
Ensaio sobre a Cegueira (1995)
As Intermitências da Morte (2005)

José Saramago – Desmedidamente contemporâneo

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Texto lido no encerramento do Fórum Social Mundial de 2002.

Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.

Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos, entregue cada um aos seus afazeres e cuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar de algo sucedido no século XVI) os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveria haver motivo de estranheza, porém aquele sino dobrava melancolicamente a finados, e isso, sim, era surpreendente, uma vez que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento. Saíram portanto as mulheres à rua, juntaram-se as crianças, deixaram os homens as lavouras e os mesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem a quem deveriam chorar. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. 

Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. “O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino”, foi a resposta do camponês. “Mas então não morreu ninguém?”, tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: “Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta.”

Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar (algum conde ou marquês sem escrúpulos) andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras, metendo-os para dentro da pequena parcela do camponês, mais e mais reduzida a cada avançada. O lesado tinha começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às autoridades e acolher-se à protecção da justiça. Tudo sem resultado, a expoliação continuou. Então,
desesperado, decidiu anunciar urbi et orbi (uma aldeia tem o exacto tamanho do mundo para quem sempre nela viveu) a morte da Justiça. 

Talvez pensasse que o seu gesto de exaltada indignação lograria comover e pôr a tocar todos os sinos do universo, sem diferença de raças, credos e costumes, que todos eles, sem excepção, o acompanhariam no dobre a finados pela morte da Justiça, e não se calariam até que ela fosse ressuscitada. Um clamor tal, voando de casa em casa, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, saltando por cima das fronteiras, lançando pontes sonoras sobre os rios e os mares, por força haveria de acordar o mundo adormecido… Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o camponês a repor as estremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os dias. É bem certo que a História nunca nos conta tudo…

Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma campânula de bronze inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exacto e rigoroso sinónimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em acção, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.

Mas os sinos, felizmente, não tocavam apenas para planger aqueles que morriam. Tocavam também para assinalar as horas do dia e da noite, para chamar à festa ou à devoção dos crentes, e houve um tempo, não tão distante assim, em que o seu toque a rebate era o que convocava o povo para acudir às catástrofes, às cheias e aos incêndios, aos desastres, a qualquer perigo que ameaçasse a comunidade. Hoje, o papel social dos sinos encontra-se limitado ao cumprimento das obrigações rituais e o gesto iluminado do camponês de Florença seria visto como obra desatinada de um louco ou, pior ainda, como simples caso de polícia. 

Outros e diferentes são os sinos que hoje defendem e afirmam a possibilidade, enfim, da implantação no mundo daquela justiça companheira dos homens, daquela justiça que é condição da felicidade do espírito e até, por mais surpreendente que possa parecer-nos, condição do próprio alimento do corpo. Houvesse essa justiça, e nem um só ser humano mais morreria de fome ou de tantas doenças que são curáveis para uns, mas não para outros. Houvesse essa justiça, e a existência não seria, para mais de metade da humanidade, a condenação terrível que objectivamente tem sido. Esses sinos novos cuja voz se vem espalhando, cada vez mais forte, por todo o mundo são os múltiplos movimentos de resistência e acção social que pugnam pelo estabelecimento de uma nova justiça distributiva e comutativa que todos os seres humanos possam chegar a reconhecer como intrinsecamente sua, uma justiça protectora da liberdade e do direito, não de nenhuma das suas negações. 

Tenho dito que para essa justiça dispomos já de um código de aplicação prática ao alcance de qualquer compreensão, e que esse código se encontra consignado desde há cinquenta anos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aquelas trinta direitos básicos e essenciais de que hoje só vagamente se fala, quando não sistematicamente se silencia, mais desprezados e conspurcados nestes dias do que o foram, há quatrocentos anos, a propriedade e a liberdade do camponês de Florença. E também tenho dito que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tal qual se encontra redigida, e sem necessidade de lhe alterar sequer uma vírgula, poderia substituir com vantagem, no que respeita a rectidão de princípios e clareza de objectivos, os programas de todos os partidos políticos do orbe, nomeadamente os da denominada esquerda, anquilosados em fórmulas caducas, alheios ou impotentes para enfrentar as realidades brutais do mundo actual, fechando os olhos às já evidentes e temíveis ameaças que o futuro está a preparar contra aquela dignidade racional e sensível que imaginávamos ser a suprema aspiração dos seres humanos.

Acrescentarei que as mesmas razões que me levam a referir-me nestes termos aos partidos políticos em geral, as aplico por igual aos sindicatos locais, e, em consequência, ao movimento sindical internacional no seu conjunto. De um modo consciente ou inconsciente, o dócil e burocratizado sindicalismo que hoje nos resta é, em grande parte, responsável pelo adormecimento social decorrente do processo de globalização económica em curso. Não me alegra dizê-lo, mas não poderia calá-lo. E, ainda, se me autorizam a acrescentar algo da minha lavra particular às fábulas de La Fontaine, então direi que, se não interviermos a tempo, isto é, já, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado pelo gato da globalização económica.

E a democracia, esse milenário invento de uns atenienses ingénuos para quem ela significaria, nas circunstâncias sociais e políticas específicas do tempo, e segundo a expressão consagrada, um governo do povo, pelo povo e para o povo? Ouço muitas vezes argumentar a pessoas sinceras, de boa fé comprovada, e a outras que essa aparência de benignidade têm interesse em simular, que, sendo embora uma evidência indesmentível o estado de catástrofe em que se encontra a maior parte do planeta, será precisamente no quadro de um sistema democrático geral que mais probabilidades teremos de chegar à consecução plena ou ao menos satisfatória dos direitos humanos. Nada mais certo, sob condição de que fosse efectivamente democrático o sistema de governo e de gestão da sociedade a que actualmente vimos chamando democracia. E não o é. É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo. 

Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica.

E não nos apercebemos, como se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros “comissários políticos” do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada, serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas minorias eternamente descontentes…

Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo.

Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor.